versos de viento huracanado

Día, calor extremo, calma

alarma vecina del proximidad de un ciclón

categoría avasalladora por ahora desconocida

como el miedo y su más fiera condición: la muerte

el tiempo acalma

entre compras y cuidados de la casa

estantes rellenos con lo que falta

¿velas? ¿galletas? ¿vegetales congelados?

un vino de arroz, dos botellas de ron a granel

unos huevos luchados en la cola del mercado

frutas de estación si sobraron,

si algo quedó

si compramos

unas tablas asegurando una ventana

los vidrios con plásticos, en cruzes al centro

el radio encendido

en el paso a paso de las noticias que se repiten

la vecina grita “se fue la luz”

y el oscuro abraza la tarde

vientos huracanados se aproximan de la costa

el cielo nubla

el viento arrasa

palmas se tambalean

árboles enteros se vienen abajo

vuelan plásticos, maderas… y los sueños

una llama encendida sobre el lugar más alto

un silencio cortado por el aullar de las ventanas clausuradas

el dominó en el centro

un café dividido cruzando la sala

los cuartos cerrados, evitando lo mínimo de revuelos

la oscuridad agarrando los recovecos

un ruido más alto, lejos, desconocido

como explosión que incendia la noche

las alarmas son de abrazos

una calma a pesar de este peligro

no hay teléfonos

ni electricidad

y el agua ya fue cortada

entonces, nos queda la pausa de la familia abrigada

los chistes de siempre

un buche de alcohol, con el doble nueve en la mano

trancado,

algo friéndose en la caldera de aceite caliente

un café colado, dividido entre tantos

la vecina gritando “que es esto dios mío”

la vela se gasta en el último lumbre

un libro en la mano, leído en voz alta

estos versos – que aún no he escrito, quizá la memoria adelantada

la próxima vela y los vientos se calman

ya es la mañana,

un gris ceniciento

los árboles tumbados

los cables

la gente que anda en la calle,

buscando entre escombros pedazos de cielo

es más una ventisca

infierno terreno,

la astucia de tiempo

los nuestros, en casa, tranquilos

a espera del próximo sol

sin estos versos de viento huracanado

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o cheiro do lirio

os dias da semana, largos e corridos
o dinheiro avulso,
protocolos de inquestionãveis paradigmas
as borboletas do jardim,
as crianças, ele, elas todas
minha família destes mundos,
os amares, inconclusos e tardíos,
as poesias em folha branca, nunca escritas
as despedidas cotidianas como certeza do reencontro
não cabiam,
não haviam caixinhas suficientes,
nem para o desejo inconmensurável do meu ventre
menos ainda pr´aqueles na mente,
as palavras das sentidas emoções
estes riscos de imagem e memória
eu queria todos os instantes do meu tempo…
um beijo de seis línguas
em orgasmos de mil corpos
de sedentos verões e dessertos
um mel de aguas de outros mares
navegadas em jangadas sem velas
somente o remo destes braços
e a correnteza de profundas superfícies
era o que levava
o cheiro do lírio colorido
que aflora em noites destemidas
e o medo da postrer entrega
desta vida que termina em morte
apesar dos exilios e fronteiras
não cabiam,
nem haviam caixões para estes sonhos.
a pedra na mão
os dedos trémulos, os mamilos,
seios secos deste pai fraterno
eu insistia
a palavra angariava solsticios
elogios de infamia d´ego sofrido
um brilho do eterno deste agora
este instante de escrever que me permito
(mesmo que seus olhos me matem de desejo)
diante da latifundio de ser gente
pessoinhas de cidades e registros
de formulários, contratos e currículos
e o tempo administrado
em curtos suspiros e soluços
que não cabiam na caixinha
para serem vividos (ao invés escritos)
nestes cernes
Sobrevivente!

Ego breu

A beleza está com tempo esgotado

beiram as rugas

do seu agônico sorriso

pautado pelo espelhismo

da triste figura

que habita sob sua fina pele.

 

A potência da mão enfraquece

passaram-se os anos

da industria cotidiana

no afã de angariar

distâncias e pedaços

que em breve darão adeus com a memória.

 

A formosura do seus gestos quase apagam

apenas restam sombras

fragmentos de um brilho

que a cada noite escurece

intermitente cintilante

como o fôlego, o olhar, os orgasmos.

 

O vibrante do sexo tem beiradas

abismo escuro infinito

e a fome acaba

a sede esvazia-se em pingos

que a gente é só

e também esgotassem as vontades

de riscar bocas e ventres.

 

A companhia dos outros tem limites

a vida ao fim

e o treinamento viril de esta morte

as palavras não mais falam

nem o toque ao tato mais nos crispa

apenas fica o oco de estes ossos.

 

O silêncio é o propósito das palavras

o sem-fim é leito

d´um mistério de este sempre

é isto…

tudo é enfeite do verdadeiro

silente breu do ego-eu.

 

o amor na caixinha

o amor entrou na caixinha:

o presente era luz de raros amanheceres /  floresceu raízes nos seus fundos breus / ramificou abraços imensos /sombrios meus / desbotou sangue / fluidos coloridos de tesão tardia / não cabia com a tampa / não houve frete combinado / os preços não coincidiam / os reclamos eram de uma incrível simpatia / que não cabiam na caixinha do amor / com ou sem a colorida tampa / o amor não se vendia / fez raízes no meus fundos credos / numa deliciosa ceia de corpos / e bebidas de deleite goze / não arrependido do ocaso fim / peguei somente a caixinha / que o amor faz frutos do sol da manhã / e desta garoa repentina.

(I have no) satisfaction

I have no cell phone

I have no tv color

I have no washing machine

Have no watch

Or how to measure time.

 

I have no car

I have no credit card

I have no savings

Have not too much to spend

Or anything to sell.

 

I have no parfum

I have no shampoo

I have no even a mirror

Have no three pair of shoes

Not even walking boots.

 

I have no dog

I have no fish

I have no pigs

Have no anyone to care

Including no one to despair.

 

I have no country

I have no big plans

I have no dreams

Have no more issues

Or a simply apologize.

 

I earn some memories

I keep few friends

I feel some pains and loves

Write at least some experiences

On this few steps in days of life

Olhe Aos Olhos

assim como  o rio arredonda as pedras contra as pedras,
nos arredondamos nosso ser com o ser alheio.
haja rio. haja coração

 

Olhe aos olhos

Não a roupa que vestem os gestos

Olhe aos olhos

Não à palavra que alma o ego

Olhe aos olhos

Não às escolhas que fizemos em vida

Olhe aos olhos

Não ao consenso que juramos convívio

Olhe aos olhos

Nem as diferenças que politicam os dias

Olhe aos olhos

Não à fumaça do sucesso

Olhe aos olhos

Nem a fantasia de bastas lideranças

Olhe aos olhos

E olhe as crianças, as árvores e aos horizontes

Olhe aos olhos

De uma noite sem lua estrelada

Olhe aos olhos

Não ao salivar da boca

Olhe aos olhos

Não ao piscar de um medo apaixonado

Olhe aos olhos

De um orgasmo de dois ventres

Olhe aos olhos

Do fantasma de você no espelho

Olhe aos olhos

De fronte às palavras que sossegam seu próprio desterro

Olhe aos olhos

De um estranho e descubra o sem-fim da existência

Olhe aos olhos

De um prolongado silêncio

Olhe aos olhos

Da sua sombra, ela é a única que não mente

Olhe aos olhos

De uma solidão sem mágoas

Olhe aos olhos

Olhe

Olhe aos olhos

Olhe

Aos

Olhos.

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#OlheAosOlhos na Av Faria Lima com #Manoelando

Zóios do bem (pelo mal)

o silêncio são das relações, o que as palavras são da solidão!

 

 

Tão belos seus olhos que me enxergavam

Um brilho de luzes sem motivos

Tal o sorriso do encantamento

e tal o maravilhamento

que desconfiei da minha vileza.

 

Senti o breu de um rápido piscar

no véu de um súbito adeus

e sem tempo de me orgulhar

do meu surpreso reflexo

escolhi o silêncio para te sorrir.

 

Nunca arrisquei a flor-timidez

pétalas dessas não abdiquei jamais

uma estranheza de ser o que sou

(e apenas o que de mim consigo)

mas que raramente consigo despir.

 

Mas seus olhos de fino respirar

persistiam em me ver feliz

eu sem poder-lhe mentir

do seu tento preferi me afastar

assumindo apenas o que de mim, sou.

 

Assim dos zóios do bem

por presságio do ego falar

descobri que eu odiava por mal

num afoito do deus interior

que não esconde a raiva ao não viver nosso amor.

poesia para um poder alheio

Podes-me desconhecer

Eu mesmo não me reconheço

Tanto que (de mim) esqueci

Fiz-me olvidar que te conheço.

 

Podes até  me distrair

Quase não saio do mesmo

Tanto que me afastei

Volvi-me azar do teu acaso.

 

Podes-me magoar

Eu mesmo já fiz isso comigo

Tantas vezes feriram em mim

Que nem mais me entristeço.

 

Podes não me escutar

Desprezo é algo que mereço

Foram tão poucas palavras

Que deu para escutar o silêncio

 

Podes incluso sumir

Eu mesmo me desapareço

Tantas vezes que eu fui

Nem sei mais quando estou presente.

 

Podes até assumir

Esses afetos não se dispensam

Tanto que eu quis saber (de ti)

Perdi noção do momento.

 

Podes mesmo ser feliz

Tristeza não te desejo

O próprio não quero para mim

Sou grato de sofrimento.

 

Podes rir de o meu sofrer

Eu mesmo não me interesso

Você lembrar-se de mim

É a alegria do meu esquecimento.

 

Versos da (in)natureza humana

 

Senso comum não é o mesmo

 que o vôo transcontinental

das andorinhas.

As memórias são raízes

de uma árvore encriptada

na nossa alma.

O anéis marcam as pessoas

como número

no couro do bezerro

As palavras do amor

no substituem

o acasalamento dos flamengos.

O filho não veio

ao mundo lhe garantir

sua esperança.

O tempo não se detém

nem nas memórias

nem estas últimas pétalas das palavras.

Esse ar de juventude

é também máscara

que foge de uma bala de caça.

Essas lágrimas não

são do orvalho

sentença de uma bela manhã.

Nem suspiro é maresia

nem velhice, chagas

nem nascer dá assas.

Réquiem para um Abril

 

no frio aqueça-me,
no calor derrete-me,

na chuva abrace-me,
na noite esqueça-me.

entrei NOS TRILHOS da vida
num trem que partindo
não saberia o retorno.

nem eu sabia o conforto
que essa loucura traria
nas estações do outono.

o balanço desse rolé
é embaçado demais
para quem imagina

que o trem que parte, retorna
e descobrir num puta de um transe
que a vida que vai, se foi!

 

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nas paredes, o branco do cinza
se instaura
nos rostos, silêncios do fundo de si
nos abraços, se acalmam os afoites
natureza perdida de nos
nos olhares, afeições se fundem
a palavra se nega ao amor
ela sonha em vestir um para sempre
nosso agora é réu do sentir
na mordaça, gemidos se aplacam
impossíveis enfeites do veraz
teimam nos tornar infeliz
seja sã do seu ser e seus olhos
natureza é firme no co-existir.