O real demasiado

Instantes bons e belos junto a você, Benja, sempre são muitos. A cumplicidade dos momentos, que esticam em dias, que hoje são anos. O partilhar conversas sem rumo, no fio da imaginação sem beiradas, na saga de romances ou de vilões imaginados; ou aquela pergunta das trinta e três respostas e todas suas interpretações. Aquelas minhas memórias distantes, trazidas por alguma lembrança, por espelho de consciência, e no agora, revivida contigo, no sorriso e a surpresa.

Porém, há os desafios cotidianos, do ir e o devir, nos prazos dos compromissos, dos tempos alheios, dos encontros marcados. Às vezes, o real demasia, tornasse o muro diante do corpo, a lágrima diante dos olhos, a dor dentre do peito. A raiva esmaga entre dentes, o silêncio de algum grito. Há os berros dentro do punho, no caminho certeiro de alguma parede. O chute sem bola, no ar de uma mágoa. O alarido em tantas palavras, do que não consigo aquietar na paciência. Já arremessei meu pranto na sua queixa, na sua insistência por mi tirar do centro; ou bati com minhas assas, no vento da sua pele. O remorso entorta, de joelhos a morte é solidária, e me abraça a causa de mais uma batalha perdida, entre a razão e os limites, um pai e o filho, a emoção e as dores de uma paternidade vivida na sinceridade.

Esses dias, depois de um desses processos, onde o oco toma conta do tempo, o breu ilumina os gestos, e a pressa domina as vontades, eu te perguntei, Benja, mas bem num questionamento meu; o que poderíamos fazer para nos entender sem birras, para nos acompanhar sem sofrimentos; e você que de longe é mais experto, disse-me, leve e com seus olhos nos meus, “sorrir, pai” e sorrimos.

Olhe ao Céu

“Olhe ao céu enegrecido, a ausência de lua, o mar escuro estrelado. Lá distante, brilha um astro sobrevoando entre as tantas um caminho certeiro através do universo”. Essas poderiam ser as palavras do meu pai, na poética da memória, vinte anos depois daqueles dias em La Habana.

Depois que o muro de Berlim caiu e a União Soviética desapareceu dos mapas e de nossas despesas, os cubanos conhecemos uma das piores crises econômicas de nossa historia: falta total de comida, transporte público praticamente nulo, crises nas relações pessoais, empregos em falta, prostituição renascente, e longos períodos sem eletricidade.

Apagões de mais de doze horas alternavam com o mesmo período com luz elétrica. Cidades, povoados, regiões inteiras eram acessos ou desligados. Em La Habana, uma grade semanal dividia municípios entre os “encendidos” ou “apagados”. De noite, a escuridão tomava conta das ruas e esquinas, dos céus e dos sonhos.

“Olhe pro céu. O escuro da noite sem lua. O véu enfeitado de pequeníssimos pontos brilhantes. Olhe fixo, alguma coisa acontece, e se mexe. É uma estrela? Um planeta cintilante?” Éramos meu pai e eu, sentados na calçada olhando pras únicas luzes que nos restavam. Sorriamos daquela felicidade simplificada, ínfima como o brilho que o céu nos regalava.

As noites eram esticadas com as conversas dos vizinhos que puxavam cadeiras, sofás e travesseiros para a calçada. Fugiam do calor insuportável de dentro de casa. As crianças corriam na rua, jogando de esconde-esconde, ou simplesmente sentavam a ouvir as histórias dos adultos: histórias do mesmo que se contavam cada dois dias, alternando entre “apagados” o “encendidos”.

“Olhemos o céu. Aquilo que brilha e se mexe não é um astro. Uma estrela cadente? Um sol errante procurando galáxias sem luz? Um planeta viageiro a procura de nos? ” Assim, a cada dois noites, meu pai e eu anotávamos – na memória – a cada novo satélite que descobríamos  no céu habanero – você já viu satélites? aqueles pontinhos de luz que se mexem entre as estrelas?

Ali, a cada nova descoberta de um desses artefatos luminosos, a nuestra euforia iluminava aquele breu do bairro, entre gritos e sorrisos, entre nossos abraços – as vezes minha irmã – assim como é a mesma cumplicidade daquela amizade que até hoje, diante do escuro estrelado, nos acompanha sob o único céu que nos abraça.

Milton e Demian, e um café-da-manhã para três

Poucos antes de acordar ouço os gritos sem eco do Milton “é serio que comeram as bolachas amanteigadas…” era ele longe e dentro de mim ” a goiaba madura e o último pãozinho francês?”. Era dureza essa fome dominical no acalanto do lar de nos três. 

Eram o excedente da festança da nossa solidão: tudo exato, frugal, necessário. Eu comia por ele, só as vezes. Quase sempre Milton que se alimentava de mim. Eu teimava de acreditar naquela fina justeza. Tudo nosso: para nos.

Milton pressentiu uma rara injustiça “alguém vai ter que repôr…” ele vociferava sem ter com quem implicar “… cadê aquele baixinho, é papá?“, procurava nos cantos ocultos, as sombras esconderijas, “eu vou te achar, nené” as pegadas sorrisos ou as mãozinhas delatoras daquele pequeno infrator.

“Foi você, eh malandrinho” Milton descobrira nosso filho sob a cama, preparando o maior banquete: especiais pães na chapa, frutas várias cortadas, leite quente no justo café ou no achocolatado, suco fresco de tangerinas. Eu no mesmo impulso, também vi tudo aquilo. E a ele. Do sorriso dele, escondido sob o grande colchão, um minucioso convite para nossa satisfação.

Demian servia café nas três xícaras. Uma para Milton, sem açúcar. Para mim, somente um pingo de leite. Para ele, basto chocolate no leite sem café.

Em silêncio o domingo avançou sob a nossa cama. Brincamos de comer sem desistir, destino tríplice de sermos feliz.

“E aí papae…” Milton respondeu com o silêncio do seu mastigar “… você gostou do lanchinho que eu fiz para você?” Eu sorria olhando pro Demian, num acerto de perfeito reflexo. Pai e filho: Nos três.

Dei-lhe um beijo e o opaco do Milton também nos beijou.

Pai é filho.

Demian era o sol do domingo, razão de nos: Ser.

 

Amor no eco do elevador

Havíamos passado a tarde juntos os dois, Benja; após a escola: andando na bike, depois um suco. Subi contigo até o andar do apartamento, e lá você disse que queria descer comigo até o térreo. Bora lá e descemos, e já de volta, embaixo, você disse que estava sendo difícil se despedir de mim.

“É Benja, para mim também as vezes é”. Você sorrindo quase chorou. Eu, quase chorando, sorri.

Você disse “pai eu te amo” e eu respondi “filho eu te amo”.

Daí nos abraçamos, e sorrimos. Pedi para você apertar o botão do seu  andar, o que fez acionar a porta automática do elevador. Pela janelinha da porta, nos olhávamos fixamente, e você disse “papai, eu te amo” e fechou-se, e então eu disse já com as portas travadas, o elevador começava subir, “filho, eu te amo” e o elevador se foi.

Assim ficamos: você gritava que me ama e eu respondia que te amo enquanto você subia andar por andar, e eu estático no térreo continuava a gritar “filho te amo” e você respondia desde qualquer andar “pai, eu te amo”.

O vácuo do tubo do elevador preenchido com tua voz, ecoava, e se escutava como se você estivesse muito perto. Você ainda sorria e gritava, cada vez mais forte, “agora já estou no oito” e mais, continuaste até chegar até seu último andar:

“Pai eu te amo” você gritou antes de sair do ascensor.

Eu acho que não chorei.

 

Assobio para cangurus

Eu cheguei ao prédio, Benja. Lá de baixo, é uma altura de doze andares até suas janelas, que abertas, deixavam entrar a luz do sol se pondo na zona oeste. Olhei lá, e assobiei o nuestro chiflido.

Dias antes tinha contado para você de onde vinha esse assopro familiar, lá da minha infância distante.

Na TV, eu te disse, passava uma série de um canguru que chamava Skippy, que muito experto, sempre tinha que intervir para salvar outros animais ou os próprios humanos, de situações de perigo. Os seus donos, para chamá-lo, assobiavam com uma grama na boca.

Assim, meu pai chamava minha irmã e eu, de pequenos. Não importava o quanto longe estávamos ele dava um jeito de que o ouvíssemos. Às vezes, sob perigo de ficar de castigo, se não acudíssemos até ele o antes possível. Todo mundo no bairro sabia que aquele assobio era para chamar sua tia Evelyn ou eu, então as vezes nos estávamos vários quarteirões de casa, e aparecia alguém que dizia “o seu pai está te chamando”.

Com os anos, virou código entre meu pai, minha irmã e eu, sendo que minha hermana logo aprendeu assobiar tão forte como ele, e realmente o fazia muito alto.

Desde pequeno, sempre te assobiei desse jeito, numa espécie de eco daquele barulho da minha criança interior. Eu, que nem tenho as qualidades de seu avô e tia, tentei sempre te mostrar aquele assopro familiar. Também não havia sido necessário já que na cidade, é difícil você se afastar de alguém adulto.

Ontem, assobiei de novo. Esperei e você não apareceu. Era a altura, o vento, as buzinas dos carros na Avenida perto de você. Era aquela melodia nos lábios do meu pai, no meu bairro, no importava a distância. Éramos, minha hermana e eu respondendo ao chamado do Skippy, e correndo, como se canguru fôssemos, indo em direção do nuestro padre. Era minha irmã, repetindo por anos aquele som, num tom bem mais alto e poderoso. Tudo isso na memória, e no som emanando dos meus lábios, em direção da sua janela do décimo – segundo andar.

Então, você mostrou sua cabecinha, e logo depois um sorriso que brilhou lá no alto, no sol se pondo na zona oeste. Mostrei a mão, e você a sua.

Era para você descer, me abraçar!

Nicole, pared con pared.

Desde que nos mudamos para Vila Gomes, hubo algo que “nos” prendió muchísimo a Benjamín y a mí. Quizá, sutilmente, de lo mejor de nuestra nueva casita y el barrio sería una menina de trazos finos, cabelos crespos y altos – a veces con trenzas –  negrísima, linda: Nicole.

Nicky es de familia angolana. Su mamá y su tía nacieron allá. Son dos negras sonrientes de muy buen humor. Aquella dentadura insigne. Piel brillante. La mirada cansada, feliz, de quien se apegó a otro país, como yo.  Además de Nicole, Lena, la mamá, tiene otras dos hijas adolescentes: Eva y Melissa.

Ellas, cinco mujeres, todas, viven aquí en la casa de al lado. Pared con pared.

Benjamín atraviesa el pasillo, pasa bajo la ventana con pasos leves, y arrastrando su manito por la pared busca con la mirada a través de la ventana abierta, una cortina improvisada filtra el sonido de la televisión. Escuchamos a la perrita ladrando. Nicole, personaje de novela romántica, aparece por la ventana.

Jamín, Jamín” ( se pronuncia Yamín, Yamín) el grito de ella, lo detiene. Él, como si Fito lo viese, se pone en puntas de pies, y estirando los brazos, los dedos en un gesto de alargarse se los pone entre las manos a ella.

Él se aleja, viniendo detrás de mí, aprovecha y entra en casa. “Nicky, vem brincar cumigo!” Benjamín insiste varias veces gritando hasta que Nicole aparece en la puerta, y ensaya una timidez que dejó de ser necesaria hace varios meses.

Nicole & Benjamín

Descubrí, la intuición me permite, que a ellos no les gusta jugar en casa de ella. En casi este año aquí en la Vila Gomes, apenas un par de veces jugaron por allá. Lo que desenmascara la intuición es el hecho de que mientras ellos están aquí tienen su espacio de juego preservado al máximo, o sea, los dejo solos y aprovecho para hacer cosas de la casa, mis cosas.

Ellos se encuentran en el cuarto y sacan los juguetes. Los carritos protagonistas siempre. Juegos de montar. Colores, papeles, libros. El desorden, lugar común, es un reguero. Pleonasmo no encaja, es bueno ver este cuarto así.

Al principio, la disputa por los carritos del Benja fueron necesarias, hasta el día que le sugerí al chamaco que le regalara uno a ella. Recuerdo que él escogió el color y dijo: “leva este preto, Nacole”. El modelo ofrecido era un regalo de mi madre, allá en la isla, distante de nosotros.

Sí, ella ya se llamó NACOLE. Benjamín quien la llamaba así. Ella todavía estaba con lucro, pues al comienzo para ella, él se llamaba simplemente “Mín”.

Durante estos meses ya fueron cenas a luz de velas. Pizzas preparadas entre ellos y yo. Idas al mercadito de la esquina. Compartidas de chocolates, jugos y comidas. Risadas  y conversaciones entre los tres.

Cuando Nicky estuvo un mes en Angola Benjamín sintió mucho su ausencia. Él preguntaba por ella, yo respondía: “Ella está en Angola, Benja”. Él no cuestionaba mucho su ausencia pero repetía constantemente “Nicole está na África?”.

Últimamente, ellos son una familia. Ella la mamá. Él, nuevamente, el hijo. Sin exigirse muchas jerarquías, se llaman de mãe  e filho  durante el tiempo de juego. Incluso en ese caso, Benjamín es un poco contestador, pero todavía la enfrenta menos a ella que a mí. Hoy, poco antes de despedirse, hubo un ajuste. Benjamín insistía en decir que ella no era su mamá. Y ella, temiendo perder su hijo, replicaba: “você é meu filho”. Yo los observaba, atento, y sin dejar percibir mi presencia. “Eu sou um nenê” se defendía “você não é minha mamãe”. Parecía cosa seria de gente adulta. Yo, discreto, me divertía con los tonos de voz y los énfasis en las argumentaciones.OLYMPUS DIGITAL CAMERA

Antes de Benja irse a dormir, le pido que la lleve hasta la casa. Apenas diez de sus pasitos nos separan. Los pierdo de vista.  Sé que ese gesto tan simples un día lo recordaré tan especial. Mi hijo, luz de mi amanecer.

Gracias Nicole por conocerte. Ese va por mí y por el Benjamín.


“Yo no buscaba a nadie, y te ví…”

O burro, a camela e um sem-fim feliz

Uma camela e dois camelinhos. Um burro guiando-os acorrentados sob o bafo do deserto. O asno, cabeça baixa, orgulhoso e cansado, os puxa num esforço que supera a dor, levando-os pelo caminho certeiro até a felicidade.

Essa é uma imagem real.

Desde que tenho lembranças, lá estavam esses animalzinhos de madeira talhada, acorrentados sob o bafo do Trópico, sempre se movendo pelos cantos de casa.

Meus pais tinham ganhado de alguém muito próximo a eles no momento do casamento.

Era uma imagem feita em madeira, com toda a fantasia de uma criança, crescida e cuidada no carinho de quem, orgulhosos e cansados, nos levavam – minha irmã e eu – pelo caminho certeiro até sermos felizes.

Eles tinham se conhecido em La Habana. Minha mãe tinha saído de um latifúndio confiscado de terras de café e cacau que pertencia a meu vó para estudar na cidade. Meu pai, que era muito simples, a conheceu no surpreendente acaso do amor.

Logo depois que se apaixonaram, e voltando para a casa de um irmão da minha mãe, onde ela morava perderam o último ônibus. Meu tio ficou chateado e pediu para escolher.

Na casa onde eu nascera quase cinco anos depois, da minha avô mãe do meu pai, era impossível eles viver a nova paixão. Dora tinha um batalhão de dez filhos, maridos e mulheres de esses filhos, e alguns já netos dessas uniões.

Foram dormir em praças públicas, em bancos de madeira rasgada e metal oxidado. Dormiram sob a sombra halogênea de flamboyants – a árvore maravilha – cedros, paineiras e palmas-reais. Descasaram abraçados, nos cafunés da noite habanera, na rara tranquilidade de estrelas limpas despoluídas. Conviveram o amor com noctâmbulos, bêbados, doidos, retardados, outros amigos da estrada do amor.

Eram felizes.

Eu me lembro deles contando as histórias com uma paixão que até hoje os mantém juntos, sorridentes e orgulhosos como o asno, a camela e seus dois camelinhos na travessia da vida.

Depois eles descobriram uma grande casa ou armazém dentro de um lixão perto da zona portuária. Lá se foram eles testarem a felicidade. Lembro de que dividiam espaço com outras famílias que tempo depois também viraram amigos comuns. Deviam ter que transar no cantinho, em silêncio, para não ter que se misturar demais o seu amor.

Essa prova de amor, eu acho, deve ser das mais grandiosas.

Não se faz amor calado. O amor se grita a todo vento. Desenha-se nos muros de cidades. Risca-se em pontos de ônibus. Escreve-se na coluna social do jornal de domingo com lápis sobre a crónica de economia. Faz-se com gestos, de braços abertos, aproveitando a sombra que bate no chão. Anuncia-se, caindo da altura mais alta, perante a morte, antes de morrer, sonhando.

Esse amor se lhe conta aos filhos para que depois eles os escrevam em blogs, na fantasia de quem não viveu aquilo. Se lhe canta aos netos nas vozes de fadas e anões. Lembra-se por sempre no abraço matinal de quem ainda vive junto, como quem na ausência de paredes ou compreensões familiares se joga na rua, sob a sombra de praças, dentre os cheiros excitantes de um lixão.

Eu me lembro do burro ter perdido uma pata, e mancando ainda puxava a corrente da camela. Recordo-me da corrente entre a camela e o primeiro camelinho, ter perdido a continuidade dos dias – e dos parques ­– mas seguirem juntos, dispostos trás os vidros de uma prateleira de casa; como eu que já solto cruzei o continente à procura de uma imagem suficientemente bela para contar para meu filho, depois neto – quem sabe um plural desses sujeitos – e me fizesse acreditar em fadas e anões.

A felicidade tem poucas palavras. A tristeza já é mais difícil, contá-la.

ps. a imagem usada, tomei da Revista Zupi, obra está exposta num mural em Miami.

El día de todos los días.

Hoy fue el día de los padres en Brasil, y aunque podría fácilmente incluirme en esa felicidad compartida, la verdad es que fue un día de papá común. Común, para quien entiende del asunto, es de las cosas más divertidas e increíble que se puede vivir.
Si mi hijo que tiene dos años, y quien entiende del asunto sabe, es normal mi chama por ejemplo preguntarme “pai, eu posso comer cocô?” en un casi perfecto portugués de un brasilerinho de dos años. Yo que me las arreglo como puedo, me arriesgo: Benja, ¿si tú quieres comer caca, cométela? Benjamín que es bien cabroncito se queda pensando, pestañea un par de veces y me tira una curva “quem colocou as estrelas no ceú?” como diciendo, mira que tú eres comemierda, papá.
La posibilidad de ser libres nos asusta desde chiquitos. Pero sólo cuando nos hacemos conscientes de la libertad es que tenemos que salir a buscarla. Libertad en el sentido de saber, individualmente, cuál es la responsabilidad de nuestros actos. Los más comunes. Los públicos. Los de las relaciones.
A mí sin embargo me queda la duda. ¿Qué hacer si un día mi hijo decide comerse la mierda? Bien probable que lo convencería que aquello no es lo mejor para él. Podría querer asustarlo. Incriminarlo. Amarrarlo, porque no, torturarlo. Un leve acto de imposición. Una medida de seguridad. Determinada educación.
En cuestiones de hijos, cada uno tiene sus verdades que luego serán, por los hijos, contestadas.
Y cómo no hay nada como un domingo en casa, hubo arroz con frijoles negros, algunos dulces, una Cerveza. Nos fuimos al parquesito al doblar, cuatro cuadras. Cuando estamos llegando me dice “eu lembro deste parque, papá” y yo no me sorprendo de la memoria de los niños.
La libertad nace en la infancia.