Mijando como as meninas

“É mejor mijar sentado…” me disse o Casio, lá na primavera dos meus doze anos, é provável que tivesse o rosto cheio de espinhos, na época eram mil e uns, “… experimenta para você ver” estávamos no corredor do terceiro andar da Escola Célia Sánchez – uma escola interna para crianças e adolescentes com asma crônica e diabetes, onde eu cursei dos anos.

Ele estava sentado no chão, abaixou as calças amarelas – uniforme da secundária – e sem pudor nenhum acertou o jorrinho dele no buraco por onde escorria a água em caso de chuva ou limpeza do corredor. A imagem é mais engraçada do que funcional.

Eu achei esquisito aquele gesto dele, risonho e provocador. Não lembro ao certo si naquela época eu concordei ou não, nem sequer lembro se testei, mas daquilo nunca esqueci.

Mijar sentado, ou como muitos diriam, como as meninas, é muito mais confortável: uma sensação de esvaziamento preenche o abdômen, que permite liberar também as pernas. Em casa é assim. Na casa dus amigus, assim é. A opção em pé fica para quando é inevitável: tem banheiro que não dá.

Na casa da Cló, quando o amor trasbordava pelas janelas e as lajes de La Habana, ela simplesmente exigia “faz xixi sentado, não suporto o barulho quando homem mija” era aquele som mais forte devido à altura da queda que lhe incomodava; e nos recém se conhecendo, e com ela era tudo ou nada: um sempre.

Então, entre banheiros limpinhos ou no conforto da casa, esse feito sempre que é possível… pois bem, eu mijo mesmo como as meninas: sentado.

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Outras Mulheres! (fragmento do editorial para o ´zine Circular 03 do Projeto Quixote)

Minientrada

Mulher é onde a vida começa. Onde o mundo se abre aos olhos, e a luz, brilho do céu, nos ilumina pelo tempo da nossa vida.

Mulher é a causa e também, é conseqüência. Mulher é devir. É destino.

Mulher é inicio, é o meio e sem duvida é o fim.

Mulheres são florestas virgens, mares infinitos, estrelas do universo. Mulher é religião, magia, devoção.

Mulher é amor.

Mulher se nasce pequena, criancinha fofinha vestida de rosa, de laços, lenços e abraços. Mulher é menina, bonita, prendada, aquela beleza de se apaixonar. Mulher é família, é brincar de casinha de verdade, é trabalho, estúdio, é fuzil. Mulher é ser mãe, berço da humanidade, dos filhos e homens do mundo. Mulher é a felicidade de poder partir na paz.

ABENÇOADAS!

Girando a garrafa

A garrafa da voltas rápidas num giro sem fim no centro do círculo de adolescentes. É uma sequencia desenhada com luzes e músicas cor neon. A impaciência paira. O flerte detém-se no olho aberto de quem será escolhido.

São quase quinze corpos dispostos ao prazer do acaso. Ponta-garrafa determina o alvo: boca estremece, a vítima cala, olhos se fecham. Fundo-desejo escolhe a trama: algoritmo da vontade traduzida ante o júri popular.

De mãos dadas, os últimos apaixonados, se despedem. Olho minha alma se partir em dois, e das veias espirra-se o sumo da liberdade, aquele desejo de morder qualquer vestígio de moralidade.

Sou o começo e o fim de um círculo de corpos latejantes.  O viril ereto. A pele suave, molhada, ao ponto de escorregar em mim.

A garrafa no centro gira.

O último que se atreveu a dar sentencia, puxou os cabelos da loirinha oxigenada, e enquanto o grito de prazer-dor escalava a garganta, lhe afundou a língua entre os dentes e mordeu os lábios quase até o sangue pular. No agarre, apertou-a no abraço de quem parecia, algum dia, iriam-se casar.

A rotação acaba.

Do lado fundo-da-vontade, a mocinha, ainda virgem, lhe surge à ideia de querer beijar pela primeira vez outra mulher. No oposto, entre a contradição e o obvio, quem se gaba de arroxo treme ante o veredito de quem irá a beijar. No deleite, os homens, aquele mamífero pseudocivilizado, sorriem diante o fetiche. Uma janela aberta na realidade, fechada por dentro e por fora dos medos, cruza de mãos no chão até o outro vértice da circunferência, e como quem não quer ter responsa daquilo tudo, abre a boca e engole sua primeira vitima carne-humana, sexo frágil, semelhante delicia.

Eu babo, do fim ao começo, sentado no círculo de pseudocivilizados. Giro a garrafa, e no relance, revejo a minha outra parte da alma morrendo por dentro – por fora já enterro – nas cinzas das vontades dela. Descubro meu potencial alvo, pois sou só desejo por aquele corpo de cabelos longos, pretos, olhos puxados e roupas coladas do tornozelo à traqueia.

O tempo se para. A música neon ilumina o instante, e a garrafa, fora do controle do universo, me obedece e afunda-se na minha realidade e aponta do outro lado a musa daquelas luzes todas, da festa-roda, dos homens babando, das meninas segurando a inveja daquele corpo-lycra, da minha outra metade esbravejando uma ameaça.

Eu sou o começo e fim das minhas vontades. Daí que eu parto, meio mãos meio medo, e desenrosco a tampa da garrafa. A morena, perto dos quinze outonos, salivia os meus futuros lábios, a minha futura língua, e me convida com um pisco. Entre mim e ela, o júri popular clama, e eu, que me despeço do real e do universo, coloco a tampa no tornozelo esquerdo do corpo-lycra. O vulcão arrota entre minhas pernas. E descubro nos meus cúmplices canalhas a medida exata do tesão que começa a subir por dentre a roupa-pele, a tampinha e os meus dedos.

Sou começo e fim daquilo único que sou e existo. Eu e aquela outra metade-sexo, mulher divina quase menina feita criança. Dou um adeusinho a minha metade-alma convertida em bolha-fogo queimando portas, janelas e escadas.

Faço-me um.

Eu diante, mediante, restante de um círculo que se desfaz, dilui-se no corpo-lycra debaixo das luzes e música neon que nos acompanha. Minha mão – ambas – deixasse ir pelo joelho esquerdo, levemente entre o sumiço-coxa, na virilha calma, úmido planalto antes de me esquivar do sexo, será que sucumbo? será que sumo? será que aninho? e sei que sobrevivo porque descubro meu suor pingando nos meus braços, os meus olhos se fechando em mim, e abrem-se perto dos lábios dela, fumegantes e únicos. O meu abismo se abre logo no umbigo, centro e destino do meu futuro beijo, do meu futuro gozo e do meu maior desejo.

Já não tem círculo, ninguém baba, não tem mulher desejando mulheres, nem garrafa girando no chão de uma festa que jamais deveria acabar. Todos se afastam temendo um final para aquela tampinha entre os seios, entre os finos cabelos que rodeiam os mamilos, entre a vontade que não cabe, nem se justifica numa tampinha subindo entre os seios, os meus futuros mamilos com finos cabelos.

Eu olho no olho dela. Começa o que será o fim deste desterro, porque nunca se deve abandonar uma metade-alma por uma metade-sexo. Mas o júri popular aclama, e antes que o vulcão destrua com suas bolhas-fogos portas, janelas, escadas, metade-alma, amigos cúmplices canalhas sentados em círculo, uma garrafa sem tampa, um corpo jovem coberto em lycra, eucomeçoefimdemimmesmo, e só minha mão na autonomia do desejo, no perigo de um instante, esse que não acaba, se desvenda o hálito, suspiro, acalma perto dos lábios dela, dos meus futuros lábios, do meu viril ereto, o meu vulcão estala.

 

Un año en pocas palabras

“Quando se optou pela liberdade,

deve-se ter sempre em mente

a possibilidade da solidão.”

Ame e dê Vexame, Roberto Freire

Bastas planicies de tierras secas y grandes arbustos, abundante vegetación creciendo cerca de los ríos, agrupándose en bosques en un abismo profundo, pequeñas venas de agua cortando en pedazos formando cataratas y despeñaderos, pájaros inmensos azules volando sobre las carreteras de lodo bermejo, rocas alterando el horizonte en una soledad desproporcional. Un sol gigante poniéndose sobre la línea perdida, difusa en una anaranjada puesta de sol. Gaudí, Van Gogh y Schiele, delante de mí, los tres arrodillados de manos dadas ante la soberbia de un tal atardecer.

Ante tanta vida, uno tiene que agradecer.

São Jorge, Alto Paraíso de Goiás. El centro del corazón del macizo brasileiro. Yo estoy sentando ante el último sol de 2011, un año picado en dos, dividido al medio por el samurái bendito del acontecer.

Cordel de Fogo Encantado

Un cachimbo de metal colorido me entra en las manos. Salvia, La divina da un paso en puntillas y discreta, sensual, se coloca entre mis labios. El humo es fuerte y debe ser continua la llama encendida, el aspirar relajado, como quien deja un vacío en el aliento para respirarse uno por dentro. El humo entra y con súbita calma el cielo naranja que invita a la noche a llegar es rasgado en tiras de papel, deshaciendo la realidad en porciones mágicas de mundo, ahora en retazos y pequeños pedazos de corte al azar. Nubes, árboles y horizontes resquebrajados ante mi parecer, ante mi impotencia, ante mi posibilidad de existir.

Así vino 2012, quitándose las máscaras y los retoques. Me mostró en su grito la fuerza de lo que sería. La vida estaba al desnudo, sin pudores ni insinuaciones, a la muestra. Era ir o desistir de mí.

¿Estaría dispuesto a ese desdoblamiento? ¿Tendría fuerza para luchar contra mí mismo por mí mismo? ¿Me alcanzaría el tiempo?

Después de 6 meses viviendo en un condominio en Morumbi, distante de casi todo lo que conocía, con dos nuevos parceiros con quien no tuve casi nada para compartir, después de tantos trenes y soledades, después del verano, la piscina, los mosquitos. Después de ver que la mayoría de los mis próximos no tuvieron como acompañarme y no me acompañaron; tendrían sus propios problemas, sus deudas, sus hambres; y que los que quisieron y pudieron ayudar, lo hicieron desprovistos de interés, sólo con la intención de verme de feliz, sonriente, me decidí a salir de allí, me mudé para Butantã.

Cada mochila, hecha y deshecha, es un viaje sin retorno, un devenir.

Aquel fin de tarde en la Chapada dos Veadeiros, aquel paisaje de papel-pared siendo rasgado, y por detrás, estaban las verdades del nuevo juego probablemente dictadas por algún Dios vagabundo, perezoso y altruista, manuscritas con bordas mojadas y poco definidas. Yo no comprendí pero pude leer.

Quien sabe de destinos tiene que tener mucha imaginación, llenarse de certezas no sirve para jugar esta sucesión de días e inviernos.

E fiz bonito, Bonita! – el día del juicio te llamarán para testificar a mi favor, por favor; porque amar nunca fue destreza, é simples viver.

Entretanto, le dije sí a las festanças. El cuerpo entregue nuevamente al baile, aquella música que toca por dentro, debajo de mi piel, ritmó las extremidades y me puso a divertirme: debajo del agua del mar y desnudo, mi hijo diciéndome lo que quiere de mejor para él, entre las aglomeraciones del metro de una gigante ciudad, en cámaras oscuras con gente danzando borrachos de vida, en salas amarillas con luz-candil, en las anotaciones confusas de mis cuadernos que terminan en este blog, en la mujer que camina junto a mí en la lluvia y la prisa y madrugada y el persistir, en el beso robado de la camarera que no me besó, en la armonía de un parque que llueve después que llovió, en una casita prestada en el alto de un barrio que aún no murió, en el amor descontrole que me regalé, en la bicicleta entre la manada de carros probando mi sobrevivir a cada segundo, en la ginga africana del Pingüino, en pequeños pedazos de espejos quebrados desorganizados ante mi mirada confusa que no sabe reconocerme, en mi cuerpo desnudo alzado por otras veinte manos sudadas al aire entregándome de nuevo al vivir, en el túnel caliente, pulsante, vibrante y de nuevo, que vine a renacer, por segunda vez.

Le di la mano a la Sole, – esa mujer esbelta que a pocos le gusta conocer – Soledad. En cien noches y algunos amaneceres me abracé a ella viendo a mi hijo dormir. Era callada y tristona, pero aguantaba todo mis resabios, mis soliloquios, mi transitar. Ella no me amaba, pero tampoco me dejaba en paz.

“Pues sí, Sole Soledad, todavía no te sé amar” – así le escribí en un papel-pared una de esas pocas noches que me dejó respirar.

Ahora llueve, hace más de tres horas. La Sole Soledad no quiso hablarme. Llegó con sus ropas mojadas y se sentó a mirarme mientras yo dormía. No la escuché llegar, de hecho nunca la descubro antes de ella ya estar por aquí reorganizando mis cosas contra mi voluntad. Cruzó las piernas, las descruzó. Su sexo me invitó, estaba húmeda. Yo quería más y más de ella. Una mujer no se conoce – ni se ama – en pocas mañanas. La llamé para abrazarme mientras yo, sentado y desnudo, escribía algo para mí mismo: ESTO.

Egoísmo es una especie de amor.

Abraço-aperto (sonata)

“Deixa a brincadeira, sobe aqui…”

O frio escala as minhas pernas, o peso dá exatamente o cálculo da massa, carne que anseio e no infinito da vontade, aperto. Estico as mãos sobre tuas coxas, parte posterior arrepiada, contrai no tato, desejo.

Escuto o sorriso, despretensioso, no acaso do prazer. Não luto contra essas vontades.

O corpo escala as pernas, minha boca dá exatamente o cálculo do que quero, carne que desejo e no natural da minha vontade, mordo. Tem os peitos – um sim, um não – que diluo entre mordidas, suspiros e um “te quiero”.

Aperto; calam-se os seus olhos num piscar de desespero, antes do penetro. E como quem não quer, me escorrego entre as pernas mansas.

Vou-me com o nariz entre teus lábios, ali entre uma palavra e outro suspiro, me invento unicórnios que se enroscam num sexo sem palavras, tentando ser um bicho menos esquisito, um animal menos apaixonante, comum, sincero, um animal sem fetiche, só por querer ser, ser diferente.

E tinha um mar de verdes algas onde não me atrevo e uma onda branca de peixes que brilham no meu sol e nas minhas pálpebras, penso naquela passarada que me inspira tamanha inveja no seu voo, e as vejo ir embora perto do horizonte, após as árvores, os rios, as montanhas que nunca alcanço, ajoelho, eu não posso, não te alcanço, peco, peço, APERTO.

Aperta-me sabendo exatamente onde queres que eu me sinta, “eu rei?” eu não sou, nunca serei da alcunha de quem quer ter mais. Sou menos: a menos sempre mais. Somando na infinidade do humilde, do ser-não.

Na altura de um abraço absurdo, do abraço amor, do abraço junto, do abraço beijo, do abraço ereto, do seu abraço aperto, do me abraço imenso, sendo o sol e você a chuva, feito orgia em pleno, arco-íris sendo sonrisa baba suor suspiro gesto, dentro, fora, coçando a barriga, os dois umbigos sendo, sendo um, seu peito no meu peito, eu sendo um sob seus gemidos, quase sucumbindo, demorando o vazio final do gozo, do orgástico final dos sentidos, do abraço muerto, do abraço suspiro, do abraço adeus, do meu sono abraço…

…porém

… antes, durante, nesse instante procuro tua bunda no escuro, aperto, me dou teu beijo, a língua no tento, no intenso de saber que esse seu silêncio é o inicio, começo, do finalmente seu abraço queijo, esticando as peles no roce, no gosto profundo de saber que já vem, te vienes, sabendo que o nosso amor crescido na chuva sob o sol é do arco-íris, abençoado, bendito esse abraço que quiero, vou perseguir, insistir, experimentar, me culpar, vou tentando no súbito arranque, no assalto, no sobressalto, no encanto, saber que no próximo suspiro não se irão as esperanças, e sim, um grito contido, a janela aberta, o calor do trópicos, islas-continentes, suor sem lágrimas, lábios despidos, incendiados, despedidos da mentira, ojos y ojos, zóios nos zóios, olhos y ojos, miradas.  No final, certa mirada de morte que se vai apagando, leve, levemente, sossegada, sossegadamente, infinita, infinitamente… sem fim.

Concierto Um en Sol menor – (preliminares)

Menina, muchacha, minha flor, el mango, llamarte, te nomear, trazer você pra perto, abrazarte, que diferença faz? a vontade permanece, florece, crece.

Mocinha quem é você? ¿Niña donde estás?

Mulher, mujer cercándome, esse perigo, peligrosamente, de ser devorado, consumido, por sus piernas, essas pernas úmidas, mojadas en su próprio sudor me envuelven en el deseo, buscándome, me agarrando para me fazer presa, vítima de tanto sangue y tanto deseo.

Onde te encontro no meio das manhãs? ¿Dónde en el atardecer de mis noches? ¿Cómo buscarte entre la multitud de mis avenidas? No atropelamento do minhas florestas?

No sé escapar, não quero fugir dessa asfixia. Nunca soube, ni quiero saber cómo.

Sé, sei, como integrarme en tu espalda, percorrer sus coxas, sus entrepiernas ásperas de tanto roce, teus pelos rasgando minhas pernas, tus manos, suas mãos, bajando lentamente por mis hombros, minha cabeza, el cuello.

Não arranhe, me marque, me sugue no seu beijo, tu lengua en mi lengua, sua boca na minha, los dientes brillando en el beso, seu beijo, bajo mi pupilas, olho no olho, testa enfrentando minha testa, nariz respirando frío dentro de mi aliento.

Dame una pista, um sinal do seu paradero, una sombra de tu existência, que eu, yo mismo, vou e te encontro, te possuo, te abrazo, e minha, te tengo.

El arco del cello

Mujer é mulher.  E vice-versa.

Mujeres, mulheres. Mulheres de dia, mujer de noche.

Mujer-animal, mulher-fome. Mujer-hija, filha-da-mãe.

Mira que intento no ponerle ese cristal-filtro húmedo, sudado, ansiosamente delicado a mis días. Me lo intento con todas mis ansías, las mismas de devorarte en las mañanas, con las mismas ansías de devorarte en las madrugadas. Mira que intento no entregarme, perderme, no ahogarme en el abrazo delicioso de tu lengua, de los labios, mira que corro del abrazo-prisión de tus piernas, de tu aliento feroz de amaneceres. Mira, que huyo de mí mismo, corriendo inevitable a tu encuentro de calma y azares, a tu cuerpo abierto, hondo, impensable, insaciable; a tus pieles.

Mujer desvaríame, piérdeme, lánzame lejos donde ni tú, puedas alcanzar mis deseos. Libérame, libértame…

E não me pergunte o que fazer com o que não é dito. Procure na calmaria da sua bolsa, na bagunça-floresta de sua entreperna, sue suas dúvidas e me traga o troco, não tem sobrado amor neste exaustivo tento de sobreviver feliz. Traga-me sua sede, sua necessidade cruel de sofrer e esse sorriso sem explicações. Tem muito silêncio correndo nos bastidores, eu sou assim. Vai entender porque tem coisas que só escrevendo mesmo, assim consigo. Talvez eu aprenda a dizer não, e mesmo sendo muito difícil, abrir mão de mim à procura de você.

¿Y quien soy sin tí?

Quem eu sem você?

¿Quién yo, sem você?

Eu, sin tí?

Un ínfimo suspiro de la nada, antes de saltar al viento de tus labios en aquella disculpa efímera “te quiero”, antes de aquel gozo final de la subida, colina de árboles frondosos y ríos de aguas congeladas bajando entre el pecho, el ombligo y la pelvis, un fragmento del grito callado, interno, súbito, que me escala desesperado la memoria.

Sou nada…

O resto, eu mesmo me invento. Olho nos espelhos o rosto que visto. Arrisco-me em farrapos que doou o destino. Não quero comidas, bebidas, anseios. Nem mesmo projetos – que me dizem a gritos: preciso. Só quero o seu corpo, sua voz, suas mentiras. Com isso me viro sem taxas, nem dívidas, sem divisas.

No tengo frío, esa sensación fue censurada aquí en mí, en plebiscito. Te espero desnudo, incapaz de ser paciente, a que tus pasos te traigan a mi encuentro. Ven sin palabras, tengo en silencio algo que decirte…

… e digo, não digo, que estas mesmas palavras que escrevo me trazem também a agonia de “ter que ser” o que digo. Não tenho frio, só essa sensação de você não estar perto. Te quero desnuda, incapaz de ser paciente, e que meus passos me levem ao seu encontro.

Vou sem palavras.

No silêncio tenho, ainda, o que não dizer…

… lo que siento.