E quando tenha filhos…

Uma coisa simples, do ABC da educação, do simples afeto construtor, não faça de seu filho preso do seu amor. O amor é o que liberta e, nunca pelo medo, nos ajuda crescer.

Acho que meus pais não fizeram isso comigo. Hoje eu vejo, quanto é fácil não olhar para meu filho e ver nele, a conclusão ou fim dos meus dias. Dele, não espero o chamego de um filho adulto no seu pai velho. À ele, de igual para igual, iguais.

Porém, nas esquinas do meu bairro, lá em Santos Suarez, eu ouvia. “Se eu não jogar eu levo a bola”, pois leve a bola rapaz. Leve sua bola na sua escura solidão de si próprio. Esconda-a onde só você e sua triste figura possam encostar e brincar.

Lá no meu bairro se alguém ameaçasse levar a bola, em troca de ficar, pois tirávamos a bola, e ainda mandamos o infeliz ir embora. Sem bola. Sozinho.

Essa atitudes em troca de afeto, nascidas no seio da família, da imensa maioria das famílias, são responsáveis pelas piores chantagens emocionais  que virão encontrar você ao longo da sua vida.

Amores pregados na chantagem de não ficarmos a sós. Relacionamentos enfurnados na escura solidão de si próprios, escondidos nas suas tristes figuras, pelos simples medo de perder a “bola” do outro que ameaça sair do jogo. Famílias que se assustam, tentando tirar de seus filhos ou pais, o afeto que as sustentam.

Então, se vai ter um filho, se já tem, se alguém perto de você tem, não o ameace de lhe tirar o docinho, não troque um beijo por sorvete, não o iluda com brinquedos na venda de afeto, não o leve ao parquinho no escambo do amor.

Isso muda o mundo. Isso nos fará, fará dos nossos filhos, o melhor.

 

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Coração mexerica

Meu amor não se divide. Multiplico-o em partes, fazendo-o maior. Cresce do pedaço e mágico, aumentar maior.

Não me divido. Sou um no instante, e outro, no depois do momento. Não me repito no auge, somente avanço no voo do que foi e súbito, renasce.

Pense que nesse transe, entre você e o resto, meu amor revive, e até voltar a você está maior do que fosse antes.

Meu amor eu ponho na mesa, naquele canto onde todos podem. Onde todos queiram. Não temo ao furto, nem me cuido da traíra. A vida mostrou-me conhecimento: meu amor ninguém leva, porque é do meu sentimento.

Abro a casca. Cuidadosamente espirra o sumo do doce azedo. Ofereço. Dividir da fruta é que o mais prazer da ao gomo que saboreio. A doce fruta e o raro ácido dentro no beijo. Espremo-me no abraço. Quero sacar-lhe tudo o que tiver contido.

Cresço nesse convexo. A elipse torna tudo metaforicamente impossível. Mas é do avesso, muito mais do que possível.

Ofereço(me) um gomo. O sumo do amor é doce azedo. Não queiras, não significa que não seja possível amar amor o impossível.

Não aflito, descasco meus ventríloquos abertos. Pulsa ao máximo: não temo. O meu coração somo. Assomo à mesa: o gomo exposto, ao alcance da mão do meu desejo.

Quer um gomo? É doce e também azedo.