Amor no eco do elevador

Havíamos passado a tarde juntos os dois, Benja; após a escola: andando na bike, depois um suco. Subi contigo até o andar do apartamento, e lá você disse que queria descer comigo até o térreo. Bora lá e descemos, e já de volta, embaixo, você disse que estava sendo difícil se despedir de mim.

“É Benja, para mim também as vezes é”. Você sorrindo quase chorou. Eu, quase chorando, sorri.

Você disse “pai eu te amo” e eu respondi “filho eu te amo”.

Daí nos abraçamos, e sorrimos. Pedi para você apertar o botão do seu  andar, o que fez acionar a porta automática do elevador. Pela janelinha da porta, nos olhávamos fixamente, e você disse “papai, eu te amo” e fechou-se, e então eu disse já com as portas travadas, o elevador começava subir, “filho, eu te amo” e o elevador se foi.

Assim ficamos: você gritava que me ama e eu respondia que te amo enquanto você subia andar por andar, e eu estático no térreo continuava a gritar “filho te amo” e você respondia desde qualquer andar “pai, eu te amo”.

O vácuo do tubo do elevador preenchido com tua voz, ecoava, e se escutava como se você estivesse muito perto. Você ainda sorria e gritava, cada vez mais forte, “agora já estou no oito” e mais, continuaste até chegar até seu último andar:

“Pai eu te amo” você gritou antes de sair do ascensor.

Eu acho que não chorei.

 

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