Só o cume interessa

Para Tatinha, Shiê, Caue, Marcela, Rui, Nana, Ailton, Bruno, Juliano e Pri… e os outros que não chegaram.

No cume da Pedra Selada, em Visconde de Mauá, o horizonte tem todos os possíveis graus do olhar humano. A vista se perde no infinito dentre nuvens suspensas, montanhas verdes e um vale distante. De pé sobre pedra fria, o vento bate em toda e qualquer direção… O voo é alto, sem limites: o céu…  Essa sensação de liberdade imagética é incomum de se viver.

Lá embaixo, as riscas retilíneas do homem, escrevem uma história para lá de contada – y no me interesa saber.

No cume da Pedra Selada, onze sombras erguem-se em corpos: a liberdade deslumbra, intimida… abisma!

No ponto supremo é possível pela festança, esquecer-se da extensa trilha, das mordidas do mato, do íngreme da caminhada, o calor na pele, a sede intermitente e duradoura. É possível até parecermos vencedores, quase divinos, semideuses. Éramos onze… (cada um com o seu nome). E eu, um desses.

Só o cú me interessa...

Só o cú me interessa…

O silêncio se rasga em tantos sentidos para esta travessia: “nadie dijo que sería fácil…”

Diante de tanta beleza o hálito fraqueja, o som da consciência se interpõe trazendo as lembranças do esforço real que me lembra do inútil do meu ego. A vastidão da serra coroada pelos meus pés – e a presença destes outros dez semideuses – me faz reivindicar minha convicta escolha de solidão. Solidão de espirito na minha luta por sobreviver e ser feliz, juntos aos outros.

Na vigília daquela paisagem, aqueles onze corpos dispostos e sorridentes, algum deles nus, flertam com o perigo do abismo.

Então, entrego-me ao abraço coletivo da confiança e me deixo ir sem medo de cair… lá no fundo o que é verde esfumaça, o branco tornasse azul e o terror da queda, bate na porta do peito, e me enche de satisfação.

Somaiê, Pedra Selada, Visconde de Mauá, RJ.

Somaiê, Pedra Selada, Visconde de Mauá, RJ.

“Nadie dijo que sería fácil…” Pense que é possível confiar. Pense, é possível o corpo comportar outro corpo, e não morrer tentando. É possível se entregar. Possível é, ensaiar o nascimento e viver esse reencontro com nosso ser. Pense, é possível diante de um espelho não se reconhecer. É possível, não ter que mentir. Possível é, amar ou do contrário, morrer. É possível…

 

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Sempre que saio para caminhar me esqueço onde vou

Me veo claramente
buscando palabras que sepan dar vida y dar muerte al amor,
me veo claramente,
me veo si miro a mi alrededor

(Silvio Rodríguez)

Sempre que saio para caminhar me esqueço onde vou. Esqueço-me, en verdad, para saber aonde vou.

Na ausência de mapas e planos fica fácil acertar a nova direção. Qualquer lugar pode ser o principio de uma bela historia, de uma conversa infinita, de um olhar atravessando pedestres e avenidas.

(Qualquer é também um ponto, uma escolha, um fim…)

Naquela esquina nasce um encontro… morre entretanto a possibilidade de outros tantos universos, e outros tantos encontros.

A vida deve ser lembrada pelas pessoas que cruzaram sua caminhada. Aquelas que sem esforço travaram um abraço numa multidão qualquer. No meio ao silencio deram o mais largo beijo, um beso sem tempo nem compasso. Por aquelas conversas que sem entender o motivo viraram revoluções, sonhos que tornaram realidade ou tentaram a força e sem medo se fazer reais, verdadeiros.

É provável que eu não me lembre de todos meus belos encontros. Tem vezes que um, por entrega, por desapego de se mesmo, termina alugando castelos na memoria dos outros.

Tem vezes, ainda sem saber, que aquele instante será o inevitável começo de tudo que vem depois. Estes dão em livros, filhos-santos, anjos de assas humanas.

Outros encontros, muitos, são aquele único momento, segundos de um olhar, de uma conversa entrecortada e sem sentido que irão se apagar com o passar do tempo, mas que poderiam se escolhidos, ser tudo aquilo que não foi.

Cualqueira de esos, en la ausencia de mapas y de planes, será un encuentro…

Encontro é que faz a vida, instante onde quem se reconhece e entrega-se, aberto, abre ao outro a possibilidade de uma eternidade, de si próprio no outro e vice-versa.

Então saio para caminhar sem saber onde vou, esperando alguém que não espere por mim.

Quero ser lembrado somente em sonhos… Ensueños!

Ser criança

A memoria é que estraga tudo. Esse arquivo bagunçado de passado, referências e interpretações. Esse universo vivido, e reinventado através das palavras e as emoções. Álbum de instantes presos na retina. Sorrisos de uma felicidade que foi ou de uma tristeza que bem feriu. A infância é onde fomos, quase sempre tão felizes, por causa do desapego de reter eventos antes ocorridos.

A vida é presente… dádiva.

TRINT Historias contadas na areia, por Benjamín

TRINT: Historias contadas na areia, por Benjamín

O resto é sempre saudades ou mágoa daquilo que não temos mais. Reclamações em autodefesa ou autoflagelação. (Já fiquei emaranhado nessa armadilha e o resultado foi nefasto)

“Espeto e brasa da vida, fogo baixo, quero ela mal passada”.

As memórias, boas ou ruins, nós transportam num lugar que não existe. Nem espacial, nem temporal. Quando se retorna a um espaço, não sou mais o mesmo, algo em mim ou no meu modo de ver, deixou de existir.

A rotina é a acomodação de viver o presente, e tão difícil aceitar que a cada segundo, tudo se transforma num processo continuo e inevitável, que assim se prefere. Nesse conforto, damos adeus à criatividade do viver, do olhar a cada instante com a novidade de existir e respirar. A rotina é o berço de morte da criação.

As crianças, sempre ouvi, precisam de rotina. É difícil ver a felicidade alheia, feita sorrisos e esquecimento. Feito perdão a todo instante, pois a vida dos pequenos não tem o juízo moral dos adultos, e dispensam a culpa. Um pranto doloroso se transforma em segundos na maior risada (nos adultos, isto leva prescrição médica e é chamava de bipolaridade). E pensando comigo, não é conveniente para o mundinho que vivemos criar pessoas felizes.

Crianças esquecem até mesmo o mais feliz já vivido. Sábias, elas percebem que a cada nova brincadeira, elas podem sim ser felizes novamente – e logo, também tristes por equilíbrio. Mas elas, arrisco-me, não fazem isto através do esquecimento, e sim, pelo instinto natural de viver o presente.

No presente, o chocolate é o melhor melhor chocolate do mundo. A praia, não importa o litoral, é a melhor melhor praia. O dia, não importa a cor, é sempre o melhor dia. O sexo, é o melhor melhor do mundo.

O amor, na paixão extrema, é então esse pedacinho criança sobrevivendo à sociedade, às  manipulações, à toda mecanicidade. O amor nos refaz crianças, e somos tentados novamente a viver presentes, a cada instante, como se mais nada, fosse ser melhor.

Então esqueça (sorrisos), e ame…

Perguntas de segunda feira à noite

De que adianta no simples silêncio de quem quer calar, uma explicação daquela sensação, daquele rosto fechado, nem triste nem risonho apenas calado e pensativo, por dentro?

De que serve diante de uma verdade qualquer, por simples verdade, arisca e desafiante, tentar entender, achar um sentido ou querer uma resposta diferente?

Presta economizar paixão? Se achar capaz de conter o amor?

É possível encarar a solidão, a funda e única, a solitária forma do EU?

De que me serve te poupar de mim? Para que eu tentar em vão querer mentir para ti?

Por que não me arriscar a escrever sobre mim? Desenhar com isto que sinto e vivo e escrevo aquilo que SINTO, VIVO e ESCREVO? Aquela tentativa de ser feliz tem que passar por isto. Definitivamente tem que dar certo.

De que adianta acertar com o resto? De que serve sentir-se compreendido? Acolhido? Apaixonado? Amado?

Quanto custa sorrir nas ruas ao porteiro? Ao motorista? Ao policial? Ao padeiro, frentista, o marceneiro? À chefe, à supervisora, à secretaria? Quanto custa ser gentil com os cachorros e com os mendigos?

Quanto sai ser feliz com o marido? Com a patroa? Quanto nos custa ser bons pais e boas mães? Quanto é ser um bom filho? Quanto custa um melhor amigo?

Como virar um empresário de sucesso? Top-model? Como chegar nos trend-topics? Que fazer para manter minhas vinte curtidas?

Quanto é para ser um ser humano comum, apenas um nome, uma sombra, fome e sonhos?

De que serve ser feliz sozinho?

Para que isto que escrevo?

Un cuento de vida

En el camino, sua vida, el hombre encontró lo que había e existia. Nada más y nada menos que aquel paisaje increíble del mundo a sus pies. Cada detalle ordinario, cada sombra, cada recóncavo tras las curvas era posible, y además especial.

Todo hizo sentido del principio al fin. Del comienzo del tiempo hasta su muerte.

Su vida era marcada por instantes sublimes, escogidos por una indeleble sonrisa o un estruendoso llanto. Para él, aquello no significaba diferencia, en la memoria quedaba como algo que lo hizo sentirse por mucho más vivo.

El camino, sin trazos, sin mapas, ni señales era o territorio infinito de su existir. Infinito en cuanto él imaginaba distantes las fronteras – si es que eso existía – que nunca consiguió ver.

A cada gesto o palabra el universo, aquello que era su alrededor, se deshacía y reconstruía en un ejercicio sin fin… en una vida sin fin.

Era involuntario, como de sobrevivir, desterrar palabras que le estuviesen apretando el corazón. ¿Quién podría vivir con aquellos aprietos mortales, una especie de poética de infarto al miocardio? Y le era inevitable, inhibido de culpas o juicio, aquella reformulación brusca de todo lo que su rabia o su odio creaban a su alrededor.

En la vida, o caminho, el hombre descubrió otros seres parecidísimos a él. Otros hombres se llamaban. No le parecieron extraños, todo lo contrario fue curioso e incisivo en su manera de acercarse, en su modo de aceptarlos.

Al mismo instante se quedó emocionado cuando vio que su universo, aquel tapete colorido con velos de cielo y del Sol, renacía cada vez que otro hombre hablaba o hacía un gesto. Se asustó con la rabia y el odio de algunos, y simplemente se apartó.

De otros hombres percibió fantásticos diseños y posibilidades de vivir delante de aquellos gestos y otras palabras. Fascinado acompañó o se dejó acompañar en la vida, neste caminho, por otros hombres. Recuerda, por lloros o risas, de estos momentos los más divinos pasajes que pudo tener.

Vive hasta hoy, la eterna sensación de que por veces, ni tantas ni pocas, confundió gestos y palabras de otros, en su ingenua intención de dejarse acompañar. No era disfraz, mas otra sonrisa o llanto, que le hicieron por mucho feliz.

Y dígase de pasaje, aquello de felicidad era lo único que en realidad le interesó. Los restos, si es que algo sobraba, de aquel intenso caminar, o viver, sobrevivían en forma de sueño, en un lugar donde sabía regresar hasta sí, pero nunca como llegar hasta allí.

Tuvo un día en la vida, naquele instantáneo caminho, que vio  otro hombre, pequeño y mucho más ligero que él, acompañarle inevitablemente por donde él pasaba. Fue más feliz al descubrir después de muchísima autoobservación que ambos, reciclaban el entorno con una sincronicidad absurda, de otro mundo, divina. Primero pensó que el bajito lo seguía; con la vida y el camino, vio que la simbiosis practicada los unía en algún lugar o tiempo fuera de los límites que conocía.

Se entregó al otro, su hijo y así mismo.

En los días cuando al hombre su existencia no le parecía consecuente, como si aquella trascendencia tras sus gestos y sus palabras se virasen al contrario, y en vez de crear, destruyesen, de esos días el hombre, solo recuerda su muerte.

Nu meio do caminho

para Marcela, no seu caminho

Hoje acordei do lado do meu filho… novamente. Faz quase um mês já, que a rotina de estarmos juntos se completa minuto a minuto, cada instante, desde que sai o sol e se põem a noite. Mamãe está viajando, e merece!

Eu sobrevivo à canseira e o stress com pequenos luxos: uma cerveja, um porro, o abraço quente delicia do sexo, a praia, os filmes e a solidão. Tem dado certo.

Hoje liguei o computador, esta máquina que é mais do que meu caderno de viagens, meu diário digital continuo e li um texto de um outro diário de bordo http://numeiodocaminho.blogspot.com.br/ .

Na estrada, Marcela, essa minha amiga, solta poucas palavras da experiência depois que decidiu sair da cidade, seus costumes, a família, a falta de dinheiro e a pressa.

Li com os olhos vendados de lágrimas, porque imagino a  felicidade dela nessa estranheza de um mundo completamente diferente, novo, que se constrói a cada segundo e a cada respiração. Imagino, como eu, também toda dificuldade que é, olhar para um teto que te desconhece, umas estrelas que não tem nome, uns amigos que ela ama e logo terá que esquecer.

Essa estranheza da felicidade que é amor e também é dor.

Para mim, que tenho o desconhecido como utopia, li hoje nessa bitácora o reflexo daquilo que eu realmente quero. Como quem olha dentro do espelho d´agua vi os meus passos, seguindo meus passos, num mundo desconhecido e sem nome… novamente.

Eu, que acordo há um mês com meu filho, sei, sinto e padeço o difícil que será um dia me perder e achar um novo caminho. O desapego que aclamo, eu desconheço.

Desconheço o tamanho dessa estranheza, dessa feliz estrada.

Desconheço o tamanho do amor… o tamanho da dor.

Viva Mundo Libre! Mundo de ordem e progressos.

Ayer, finalmente, pude ir a la Marcha. La paternidad y una gripe violenta me habían dejado esta semana al margen de los protestos contra el aumento de los transportes públicos. En principio era “solamente” por 20 centavos, pero lo que se ha visto es un creciente e incesante movimiento popular contra varios y muchísimos problemas sociales y políticos imperantes en este Brasil nosso.

En las cuatro manifestaciones anteriores la policía militar de São Paulo había dejado su furiosa marca de balas de goma y gases lacrimógenos, forzando al resto, desprotegido y miedoso, al corre-corre y quiebra-quiebra. Ayer no fue así, la PM, determinada por sus superiores se escondió en entrecalles y pasadizos, vigilando a distancia los acontecimientos. Andaban como ratoncitos en sus escondrijos, mordiéndose el queso y salivando el odio.

Confesso fiquei com vontade de uns disparos. De uma fumaça dando o efeito moral aos gritos. Fiquei sentindo que o feijão ficou ainda sem tempero.

Em Cuba, desde pequenos vi manifestações gigantescas serem organizadas pelo próprio governo. Não se surpreenda. Mais de um milhão de pessoas lotava a Plaza de la Revolución, enquanto o resto da cidade ficava silenciosamente em casa. La Habana tem pouco mais de dois milhões de pessoas. E supostamente todos teriam de ir à Plaza. Ficar na Tv, ou simplesmente como mi família, em casa curtindo um dia juntos era na época uma espécie de rebeldia. Meus pais nunca foram a nenhuma manifestação. Eu mesmo, nunca fui a nenhuma daqueles teatros de marionetes politizadas. A gente, não se sentia que estava discordando ou se manifestando contra, simplemente não íamos, como quem concorda, nossa revolução é nossa casa.

Lá variavam os protestos. Os yankees alguma coisa. Os europeios ou alguma emenda. Perigo de invasão quase sempre prestes a acontecer. Cinco cubanos presos em Miami. Elián, um menino cubano que se salvou no mar, e chegou vivo a sua família em Miami, daí o pai na ilha, o reclama e os do norte, não querem devolver. Ditaduras geram sempre um inimigo capaz de destruí-las e que precisam ser defendidas à todo custo.

O fato é que por alguma razão ou outra, se manifestar em Cuba, na época que yo vivia lá era apoiar  o governo, que longe de se deixar questionar, fazia questão de ser apoiado.

Blasfêmias!

En Brasil, a pesar de la posibilidad de manifestarse ser real, siempre me pareció, ausente de sentido. Por su grandeza, por su riqueza, me parecía que nada haría sentido. ¿Para qué? ¿Para quién? En la gran mayoría – não excluo a minoria, que bem sabe o que realmente acontece e se manifesta ­– basta, estar bien con las cuentas bancarias, tener derecho a sus vacacioncitas, dar entrada en carro nuevo, porqué no, intentar comprar su casa. Posturas políticas, inclusive pareceres políticos sobre determinada causa social, no es práxis de la mayoría – a minoria não berre, sei que tem gente muito engajada, mais do que eu, por exemplo. Siempre pensé que era una malformación de la educación que tuvieron, nacer en un país capitalista, con una sociedad de consumo, no debe ser tarea fácil.

Estrella Solitaria Negra - um protesto por direitos elementares em Cuba.

Estrella Solitaria Negra – um protesto por direitos elementares em Cuba.

Brasil país en desarrollo, capital altamente creciente, mucho samba, fútbol y putería, sube el volumen de la música llegó el carnaval, “¿para qué luchar?” votar izquierda o derecha tanto da, es una país gigante no se le puede cambiar, pensaba “¿por quién luchar?” mis amigos, la mayoría, tenemos muchos problemas personales para solucionar, el dinero es poquísimo, vamos a bailar, el trabajo es arduo, difícil articularse, pensar juntos en un futuro mejor, “¿mejor para quién?” pero este es mi país, mi hijo nació aquí, él es brasileiro, entonces, la minoría, esa minoría que lucha desde siempre, de lejos, parece alienada, “no, no lo van a conseguir” eso dice la mayoría desde fuera, fuera de las balas de gomas y las bombas de gas, digo yo, “este es mi país” grande de norte a sur y todavía no lo conozco bien, sube el volumen, es goooooool, no hay motivo para menguar, el sol está aquí fuerte en el pecho, e iluminando algún cierto porvenir.

Ayer salí todavía con gripe y mucho dolor, casi no grité, había veces que aquello me parecía un teatro. La vida es un teatro. Yo soy un actor de mi propia pieza que aquí escribo el guión. No quiero final feliz. Quiero acción. No quiero muertes, aunque habrá. Por eso, caminando en medio a aquella multitud lo que vale todavía, y sobretodo, es el amor. Es encontrar a los conocidos al acaso, y abrazarlos, como los abrazaría si estuviese en una fiesta cualquiera, en un evento cualquiera. Tomar las calles por derecho, ya es hacer el deber. Somos parte del teatro, entonces tenemos que actuar.

Em Cuba hoje em dia, já tem quem sem temer das represálias se vá as ruas a gritar por melhoras, assim com no Brasil, temos feitos milhões de pessoas (odeio cifras do datafolha e do g1). Lá, diga-se tem que se redobrar a coragem. Corre-se o risco de ao invés de vândalos, ser chamados de contrarrevolucionário – será que isso existe? – ou pior, de vendedor da pátria – o que será que e pátria?, eu mesmo não sei mais – teus amigos podem ser teus inimigos e te entregar a policia ou você perder o emprego que mantém sua família.

Na Cuba de hoje, distante e isolada, sair às ruas pode terminar em tortura, em meses de isolamento, em desterro. Poucos, mas cada dia mais gente, tem quebrado o silêncio e se posicionado contra um governo que já foi do povo, mas hoje como qualquer outro governo faz tudo contra o povo.

HOY voy a salir a las calles nuevamente, con mi bandera de estrella solitaria, clamando por un país sin gobiernos, o pidiendo que al menos nos representen – eso realmente no lo espero. En Brasil o Cuba, por un país de paz, sin policías, sin prohibiciones ni desigualdades humanas. Por un Brasil y una Cuba de hombres y mujeres hermanados, por lo mejor para nuestros hijos y familias. Mejorías para que los que poco tenemos, y justicias para todos.

VIVA CUBA LIBRE! BRASIL DE ORDEM Y PROGRESSOS!!!    

Yoanis Sánchez, a cubana do momento.

Amanheceu a semana ansiosa, querendo saber de posturas, posicionamentos de esquerda ou direita porque a blogger mais famosa cubana chegou neste, precisamente meu nuevo país. Carpe diem geográfico.

Yoanis é a escritora do blog Generación Y que descreve a realidade de Cuba de uma maneira bem crítica. A história disso tudo você se informa melhor na Veja, no jornal da Cultura e até na Piauí. Com uma pluralidade dessa magnitude você pode fazer um mestrado sobre jornalismo político no ciberespaço ou sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea.

Nestes dias assisti novamente no ringue batalhas de pessoas com opostos ideais, defendidos a gritos sem escuta, sem diálogo. Os que negam a Yoanis com insultos e agressões, usam cartazes xerocados de guerras alheias, a maioria sem ter pisado jamais em Cuba para ver o cenário real das suas utopias. Os que apoiam a blogger se aproveitam da fúria dos rojos – aqueles que gritam para calar o que a Yoanis tenta dizer – e a usam como se ela fosse defensora dos ideais da direita e acho que até acertam na hora que a apadrinham.

No discurso dela, se escuta apenas a vontade de expor a injustiças políticas do governo Castro, o direito a oposição, ao diálogo civil, e alguns outros poucos direitos ditos humanos com a intenção de criar uma sociedade justa e comum a todos os cubanos. Os cubanos todos, onde quiser que estiverem deveríamos desejar cada um, um pouco disso para nossa ilha, nas diferencias e necessidades respeitando a origem e as diversidades. Isso tem se mostrado difícil entre os novos atores políticos.

Acúsa-la de se apegar a políticos ruins na chegada ao Brasil, é de fato a maior bandeira de os movimentos políticos de base, movimentos alternativos de poder e outras organizações civis caem na armadilha da mídia e dos homens de negócios, que de fato são os maiores interessados num diálogo futuro com a ilha.

Confesso que não leio o famoso blog. Daquilo tudo que a Yoanis escreve, eu já vivi o suficiente, de um modo muito particular, obviamente. De qualquer maneira quando leio seus textos, me sinto viajando, cada vez, aos meus próprios episódios habaneros.

Cuba sorri morrendo de fome. Temos a audácia de divertimos a desgraça. Choramos no Carnaval.

Ela é mais reconhecida representante de um movimento civil que vem se posicionando diante da crua e unilateral política do governo cubano. Movimento que existiu desde a chegada do Fidel Castro ao poder, mas que nunca foi tão articulado e maduro como o que hoje se pratica na ilha e nas suas diásporas. Perante o absurdo de imaginar um país sem contrários nem opositores, Yoanis usa sua imagem para disseminar esse espírito revolucionário que nós, cubanos, sempre tivemos, do qual somos conscientes e pelo qual sempre lutamos.

Dizem os que a criticam, e não é difícil acreditar, que a força dela – do Generación Y – se deve ao financiamento do governo norte-americano. Eu mesmo acho bem possível exista apoio monetário e tecnológico dos filhos do Obama, mas a Yoanis regularmente nega essa ajuda. Porém concordo que muito do que ela recebe atualmente deve-se a doações de seguidores que ela tem pelo mundo todo.

Ao que interessa, gente. Aquilo que ela escreve é um retrato cotidiano daquilo que realmente acontece em Cuba. É a luta de um povo por residir num país que não valoriza o potencial dos seus moradores em detrimento da ação do conservadorismo marxista-leninista-castrista e de uma nova onda de investimentos estrangeiros que mantenham o saldo positivo nas contas do Estado. Em contrabalanço, um assédio violento à livre escolha de pensamento, ou de reconhecimento da individualidade tudo isso sustentado por um aparato repressivo que persegue quem, como ela, se coloca do outro lado, questionando as adversidades.

Aquelas fotos, por demais um ótimo trabalho do OLPL, o amigo fotógrafo que ilustra o Generación Y, demostram que aquelas imagens de uma vida derruída, quase miserável, que flutua na aquela mi isla são cruéis demais como para não denunciá-las ao custo que seja necessário.

Atacar a postura monolítica do governo do Raúl – não toca mais Raulito – leva-a e aos outros, a se colocar em situações de riscos típicas das mais cruéis ditaduras militares do século passado na América Latina – aqui no Brasil, até esse capítulo da história ainda veicula nos Senados e Parlamentos de interior de Goiás para ser no mínimo investigado. Esses capítulos de resistência são relatados no domínio dela, para combater o silêncio de uma mídia governamental tão poderosa quanto as grandes mídias que simulam manter os níveis de liberdade de expressão exigidos nas democracias modernas, tipo Brasil.

Em 2011, última vez que estive em Cuba, entrei num restaurante no bairro chinês. Na primeira mesa, Yoanis conversava com um homem, depois soube era seu esposo. Claudia que me acompanhava a cumprimentou, perguntou algumas coisas pessoais. Fui apresentado e eu me senti, lembrando outros momentos onde tinha estado no mesmo espaço que ela, que podia olhar nos olhos dela sem sentir nenhum ódio ou inveja ou orgulho.

Subimos ao segundo andar e jantamos. No local onde estávamos não teve nenhum tumulto nem presença policial. Yoanis era uma pessoa comum num restaurante comum de uma cidade comum num país que parece incomum.

Yoanis viajará na sequencia para outros países ao redor do mundo. Talvez a imprensa brasileira prove que ela realmente é um messias mediático e acompanhe o percurso dela por outras democracias ocidentais. Se ela for experta como aparenta ser, algumas pessoas acordem para a realidade que se vive no meu país. Lembrar que não é necessário cair na ingerência na qual caem os fanáticos. Ainda encontrar um jeito de entender o momento histórico que se vive em Cuba, e do qual Yoanis, é uma das peças, pessoa midiática, e hoje bode expiatório.

Os da esquerda, acordem, acolham o fato de aquilo que deveria ser em Cuba, não é. Aproveitem para escutar da cruel realidade. Um alicerce, talvez seja mais proveitoso salvar o bom que temos naquele país que de fato tende a se resistir a um capitalismo feroz – difícil acreditar, mas…

Acho que o Brasil está choramingando heróis.

Amanece… (baby, baby, babylon)

La simplicidad, es de lo humano, de lo más complejo de vivirse. Saberse vivo, humano, es de esas simplicidades, de las más complejas.

Desperté.

Una fría sensación de hojas cayendo sobre las aceras, sobre los carros, entre los pasos de los obreros y asalariados mientras el sol esquenta las sombras desgastadas de una ciudad que renace. Ese instante de “luz”, yo, en mis sucesivos días, los he perdido muchísimos, en ese cansancio de vivirme nuevamente, todo día, sin poder inventarme otro yo.

Porque a natureza do amor

Esta contida na beleza e na surpresa das manhãs

Dias que parecem tão iguais

Mas de repente têm sinais de uma nova magia. *

Todo día es siempre un nuevo día, un nuevo yo.

Nuevamente yo.

Ante el espejo, mi rostro insiste en engañarme. Los mismos ojos mirándome a los ojos, fijamente: sonriente, desconfiado, lagañoso. Viendo estos pelos, barba, bigote, cejas, pestañas queriendo invadirme, a gusto disfrute, encerrarme en mí mismo. La boca, cuerpo de mis palabras, estas palabras que pienso y escribo, que escribo y siento antes de existir, boca de este cuerpo de palabras, que pienso, existo, escribo, siento antes de existir.

O dia se renova todo dia

Eu envelheço cada dia e cada mês

O mundo passa por mim todos os dias

Enquanto eu passo pelo mundo uma vez. *

La vida me enseñó, mis padres, una simple manera de mirar las vida acontecer.

Notar pacientemente el sol avanzar en la sombra de un árbol, desde el este viajar hasta el anochecer – por el sur para quien es del norte, pelo norte para quem é do sul -, es de las más simples complejidades a vivirse.

Vem ser feliz

Ao lado deste bon vivant

      Vamos pra Babylon. (escucha)*

Despierto…

… antes del sol nacer. Ese acto de humildad es mi costumbre para saludar un lugar con respeto. Sentir primero ese frío, despedir las últimas estrellas, – Minha Sampa, você sabe do que eu estou falando? – escuchar los primeros pájaros en despedirse a dormir y los últimos en levantarse a volar escuchar los niños salir a correr –você sofre demais ser tão pouco feliz! ­– los olores de la albahaca lirios distantes azahares despertadores varios descompasados bostezos alardes de sexo – eu nunca te ouvi –  café caliente pan cortado gritos ambulantes motores motos automóviles helicópteros barcos – nem isso você tem ­­– conversaciones reclamos gritos pocos silencios – relaxa, voce bem entende – el sol calienta vienta llovizna calienta mucho enfría y viene la garoa – Londres me disse que de todo tudo, isso a mata de inveja ­– personas de prisa muy de prisa a velocidades increíbles no miran no se miran no se dejan mirar se admira el tiempo se dicen tiempo es dinero – não, isso nao vou simplesmente aceitar – personas se dicen se contradicen personas de todas las deformas del mundo los rostros todos del mundo los gestos todos del mundo todas las mujeres los sexos los miedos los desesperos las alegrías los ensueños las empatías simpatías empatías utopías de todas las vidas – eu também te amo.

Alguma coisa acontece no meu coração

Que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João

É que quando eu cheguei por aqui eu TUDO entendi…

Despertaré…

… de regreso a mí mismo. Quien tenga miedo de sí que se esconda de su ego, de sus mordidas de certezas, de la incerteza de ser: pronto, acabó la simplicidad…

…porque és o avesso do avesso do avesso do avesso. *

 

*Letras de música, por orden de citas, Mart´nalia, Velha Guarda da Portela, Zeca Baleiro, Caetano Veloso. Recomiendo todo de todos aqui citados.