poesia para um poder alheio

Podes-me desconhecer

Eu mesmo não me reconheço

Tanto que (de mim) esqueci

Fiz-me olvidar que te conheço.

 

Podes até  me distrair

Quase não saio do mesmo

Tanto que me afastei

Volvi-me azar do teu acaso.

 

Podes-me magoar

Eu mesmo já fiz isso comigo

Tantas vezes feriram em mim

Que nem mais me entristeço.

 

Podes não me escutar

Desprezo é algo que mereço

Foram tão poucas palavras

Que deu para escutar o silêncio

 

Podes incluso sumir

Eu mesmo me desapareço

Tantas vezes que eu fui

Nem sei mais quando estou presente.

 

Podes até assumir

Esses afetos não se dispensam

Tanto que eu quis saber (de ti)

Perdi noção do momento.

 

Podes mesmo ser feliz

Tristeza não te desejo

O próprio não quero para mim

Sou grato de sofrimento.

 

Podes rir de o meu sofrer

Eu mesmo não me interesso

Você lembrar-se de mim

É a alegria do meu esquecimento.

 

É no silêncio que existo

Eu falo e minto, porque se fosse para ser, eu calava. Entre os outros, o silêncio de mim mesmo é quem fala. As palavras que me expõem, saem compulsórias e me traem contra minha própria vontade.

A tendência é o agreste interno. O oasis  mutado do meu mutante. O novo do eu é o silêncio que desconhece as reais palavras do existir.

Deixei de saber dos versos que compõem os ensinamentos nas palavras. Esqueci da comunicação dos olhares que substituem sentimentos. Desconheço a veracidade do julgamento. O brilho do elogio. A raiva do xingamento.

Escrevo porque doe o silêncio: nunca doeu tanto.

Eliminei os substantivos: nada ou ninguém merece um aforismo. Triscam em mim os verbos, ações conseqüentes do tudo que é falar e ser conseqüente. Remoem-se os adjetivos pendurados das frases, brilhantes crus que cegam o que escuto. Nem tempo restaram as palavras massacradas no mutismo do meu fechamento, porque era o fim delas precisamente o que eu procurava.

Mas é tão banal esse processo, porque as palavras me traem e se manifestam.  Jogam-me na ciranda dos amigos, sorrindo, ou cantando ou fingindo, como se fosse eu mesmo quem ali se manifesta. E fazem o arquétipo do sabido, dos passados consagrados em destinos, dos sonhos feito reais, da dança dos corpos sendo um só quando amamos, do lirismo de estas línguas que me dominam e escrevo, da feliz idade de estar vivo, do desapego amoral do meu individuo, do abraço da morte que inspira estes sentidos.

Porém não é real nada disso: eu minto.

outro fim dos mares

Esperei, ainda em vida, o tempo daquele silêncio

Na beira da estrada, o que seria de mim

Assim, na espera alargada

Os pássaros ausentes do último verão

Voltaram para silenciar minha dor

Tocava uma música

Trinos de uns rios que nunca escutei

Mas que eram fortes e fundos,

Reais demais

Molhados demais

Estranhos demais

Agarrei o silêncio e pus pra dançar

Na beira do rio, ausência de mim,

Mas aquilo era um mar que estava pro vir

Assim, o silêncio estragou

Eram gritos de guerra

Anúncios de paz – e liquidação,

Eram trinos dos pássaros que iriam logo voar

Voando demais

Distantes demais

Ausência demais

Agarrei os pássaros e pus eles para dançar

Na beira do trino, tristezas de mim

Mas aquilo era a morte que estava por vir

Assim, a morte anunciou

Era a voz do silêncio

Cuspidas de amor – e traição,

Era o fim dos finais,o mar que acabou.

 

Somente três anos depois…

No primeiro dia de 2012, ano que se pressentia triste e demorado, eu estava no aeroporto de Brasília. Eu estava regressando de uma dessas semanas de amigos e alegrias. Uma dessas de triste solidão interior.

Começava naquela época me acostumar à ausência do meu filho. Uma ausência pegajosa e perfurante. Pensava nele e uma lágrima despencava pela face. Os dias entardeciam num abismo. Sempre no mesmo abismo sem final: a morte.

Eu não conseguia me acostumar a esse afastamento.

Até esse momento, talvez nunca antes tivesse muito pensado no que seria a vida além de estes sucessivos dias e noites. Havia sido feliz sem me questionar meu futuro. Sem procrastinar o destino. Sem me preocupar com as conseqüências. Eu não sabia, nem queria saber, mas aquele dia começando o ano, era em certa maneira um novo ponto de partida. Talvez menos importante que meu nascimento. Talvez menos significativo que meu primeiro amor. Menos do que aquele adeus a minha família e aquele país. Muito menos que quando nasceu o Benjamín. Mas para mim, diante daquele salão envidraçado e repleto de desconhecidos era como o renascer da minha solidão.

Eu tinha quase todo um dia, esperando um vôo em direção de São Paulo e meu filho. Uma velha lembrança, um quase desejo me inundou. Comprei um caderno e uma caneta. Para mim até a mais simples das compras terminam por me atormentar.

Ali sentado numa mesinha em meio de vários comércios e gente comendo, escrevi uma carta para mim. Uma carta sem envelope nem endereço para entrega, mas uma data marcada para voltar a ler: 20 anos. Sim, vinte anos longos, dolorosos, solitários, estupendos, fantásticos, famintos, necessários, amorosos, rancorosos, esquecidos onde quer que foi.

Vinte anos para fazer e desfazer todas minhas conjuras, meus desejos, promessas e sonhos. Vinte anos para viver estes próximos vinte anos, sem juízos, os desculpas, sem medo, sem revés. Vinte anos somente para esperar ler aquilo que já não lembro mais que escrevi, mas que está ali dentre minhas poucas pertences, sem selo nem cadeado, dentre meus livros e sapatos.

A carta que eu escrevi para mim…

Uma calça jeans, uma esquina e outros desapegos

Lembro-me de uma calça jeans, cheia de buraco, que eu insistia em não jogar fora. Minha mãe brigava comigo por aquele pedaço de tecido roído e velho. Eu me pintava de aquele azul, e por nada me permitia trocar ele. Uma tarde, brigando ela e eu, joguei o jeans pela sacada e caiu lá na avenida, onde ficou semanas, primeiro grudando ao asfalto e até finalmente sumir de tanto carros e ónibus que passara por cima.

A existência humana, entre dias e noites, é feita de ganhos e perdas. Ao longo da vida ganhamos ou perdemos algo, alguma coisa. Sempre.

Ganhamos de nossos pais e parentes, roupas e brinquedos de todo quanto é cor e tipo. Amigos de infância ou amores adolescentes, todos tivemos. Mesmo o mais tímido lembra-se de alguém que fez a diferença. Esquinas, praças, viagens distantes todos vivemos, e lembramos como algo que nos pertenceu ou até nos pertence.

Ganhar é quase a sentença de que iremos perder. Ou ao contrário, perder é a condição de ter tido.

Algumas coisas ou momentos, pessoas e ate bichos, marcam nossa existência ao longo da vida. Algumas se fazem tão importantes que é impossível imaginar-se sem elas.

Desses lugares eu lembraria a esquina onde cresci. Onde diariamente ia encontrar meus amigos do bairro. Uma escadinha num portal de uma bodega, uma espécie de armazém onde comercializavam os produtos básicos a população. Dias inteiros, madrugada dentro, zoando e curtindo, brincando e crescendo com os amigos. Eu apenas podia viver sem aquele troço de lugar, e a meninada toda.

Até hoje, quando vou a Cuba, dou uma passada lá e sento, só para ver como estou diferente. Quanto me distancie daquele lugar. Como cresci.

Coisas, momentos e relações que fazem nossa vida tão especial lhe são alheias aos outros, pertencendo apenas a nosso querer. Às vezes, algumas relações nos são especiais a mais de uma pessoa: amigos, amores, encontros que serão para sempre lembrados não importa o que acontecer.

Ao longo dos dias e noites, fatos e feitos marcantes, as mais belas imagens de nossa memoria, os mais incríveis instantes vão se apagando, esquecidas, trocadas por renovadas lembranças.

E o que é esse apego que nós faz sentir essa vontade incontrolável de manter, por afeto, coisas e momentos, pessoas queridas ou odiadas?

Essa sensação de que nada faz sentido sem aquilo, essa dor de imaginar-se sem aquele e que nos prende à coisa ou ser amado e que nos aprisiona e limita nosso existir. Essa sensação que costuma ser momentânea, como crianças quando privadas do seu mais desejado brinquedo, e que subitamente troca por outra nova paixão, pode ser um momento crítico, quase de morte.

Era a imagem daquele jeans, agora pintando de azul o preto asfalto frente a minha janela. Eu olhava para ele como se fosse o troféu. Um ridículo troféu para eu vestir.

Um pedaço nosso deixa de existir. Uma memoria apagada a contragosto. Porém passada a perda temos algo novo a ganhar.

Hoje, muitos instantes depois daquela esquina tardia de La Habana, eu sei que se tem algo do qual não consigo me separar, é porque me faz mal. Não que aquilo seja ruim para mim. Nem é que eu não queira ou deseje ter ou viver aquilo. Mas só se eu puder perder, é que tenho. É que quero.

Hoje (faz uns dias, já)… eu desapeguei mais uma vez.

Sonho da Lua

 

“eu já fui até a lua
pra tentar te convencer
e acabei
conquistando a lua
só não conquistei você”

Até a Lua / Tião Carvalho.

Dos sonhos de vida, quase não tenho, nem tive. Nunca fiz questão de perseguir unicórnios brancos na ilusão de abraçar aquele animal divino.

Alerta… Desperto!

Nessa caminhada sempre me pareceu que as estrelas guias dos outros, desenhadas no desejo alheio, eram mais brilhantes e certeiras. Não que emprestei minhas forças no vão de uma amizade, de um amor, de uma façanha, apenas que os outros tinham melhor colorido aquelas noites estreladas.

Talvez fosse esse o intuito: não prender-me aos fracassos, e menos, aos sucessos.

Nesse exercício continuo das noites emprestadas, o fiozinho equilibrado sobre o abismo, o perigo não está na queda. O ponto era perceber quando o sonho dos outros, sonho nosso, conjunto, terminava; e sem magoas nem expectativas, a estrela guia mudava de estação.

Pulo… em voos altos, concebidos livres. Minha ideia era, sem ser, sendo.

Desde meu sol, os sonhos eram da lua. Eram de dia-em-dia, crescentes infinitos. No meu querer não cabia tanto, mas eu ia assim, cotidiano, sonhando tudo que sonho, sem querer tê-lo. Dentro, era tanta estrela guia, que os sonhos alheios até se coloriam.

Na primavera, sonhos meus eram de lua redonda branca e fúlgida. Iluminava-me os avessos. Eu amanhecia pelo poente. A noite era meu alto meio-dia. Eu acordava…

… minguante, que o sol também tem sombras do lado de dentro. Dos escuros internos não há como esconder os breus. Sonho que não vive pesadelos se esquece no divã da vida. Chovia na tormenta, e me molhando entregue, inundo, os sonhos ficam úmidos fluxos.

Sem estrelas nem sóis o que ilumina é a essência alma. Era novo o único. Na solidão sem lua, sonho meu renovado, primeiro de todos os sonhos, tudo brilha: estes olhos.

Lucecitas…

A foto que apagou

Uma fotografia de várias amigas (que alguma vez eu conheci) sentadas em roda na areia de uma praia me tirou da cama. A imagem que eu vira ontem durante o dia não saiu da minha cabeça até agora.

É 4 e 15 minutos da madrugada… e o sono acabou com el recuerdo dessa foto.

Todos meus amigos (que alguma vez foram meus amigos) sentaram-se na areia de uma praia. Era a praia do esquecimento. Conquistamos as diásporas dos atlas. Os nortes de sonhos americanos ou o sul dos amores perdidos. Invadimos Europa e as ilhas do Atlântico e do Caribe.

Não restou canto no mundo sem amigos, cada um sentado na sua areia de praia. Cada um com sua lembrança.

O dia que Hanys deixou a ilha eu não fui à última despedida. Troquei os choros desesperados do aeroporto pelo primeiro dia de uma nova paixão, e sem pudor nem consciência, eu ainda não saberia que até hoje, oito anos depois, eu jamais voltaria ver o primeiro grande amigo que deixou o país.

Quase dois anos depois eu parti de Cuba. Sem pudor ou consciência, eu não imaginava  que seria uma viagem de ida e só…

Quem é emigrante tem poucas certezas, mas uma dessas certezas flutuantes, quase unânime, é de que jamais verá os amigos de antes outra vez juntos.

As pessoas mais importantes que já conheci na minha vida hoje plantaram raízes num outro lugar. Fizeram pátrias e/ou filhos da nova pátria. Ainda que cubanos, e apátridas, finalmente nos libertáramos do lastre de ter uma ilha-à-deriva como âncora, e hoje, maioria reconhece outro país como mátria. Alguns deles na verdade, ainda na ilha, viram-nos partir nos céus, e alguns outros corajosos – e difuntos -, pelo mar.

E tudo isso pode até que não chegue a virar uma tristeza, mas uma ausência enorme, um grande abismo, uma foto que se apagou.

Es inevitable… RETORNO

           “Voy sin raíz que se aferre a un lugar
No tengo dueño y soy dueño de nadie
Tampoco tengo un amor donde anclar
Yo no tengo a quien pagar
Yo soy capitán en mi barco errante.”
Ni de aquí ni de allá – David Torrens

¿Quien diría que alguna vez viviría en este litigio entre Isla y continente? La inminencia del fin de este viaje me coloca delante del abismo: ¿cuánto tardará esta despedida? ¿cuánto resistirá el abrazo al olvido?

Escribo en la soledad de la azotea del edificio donde vivo, bajo la premonición de la luna llena y las estrellas del cielo habanero. Delante de mí, sobrevive el brillo amarillo del Centro y la quietud de estrechas calles despobladas. Nadie en este minuto se acuerda de la soledad que vive, porque es probable que nadie escriba sobre lo que está sintiendo en este instante: el presente convive con muchos incómodos en la soledad de un Yo .

Delante del abismo de este regreso,  ¿quién diría que salir de Cuba significaría, en realidad, el retorno a otro lugar? La Habana no cree en mis lágrimas… ni Sampa en mi regreso.

Salir de una isla siempre fue un buen presagio. Las márgenes del océano, claustrofóbicas, se estiran en extraños archipiélagos en su afán de impedir la libertad del náufrago. Una isla persigue en su instinto de existencia, si no fuera así, no existiera como fundamento la necesidad de vivir en una isla.

¿Por qué vivir en lo limítrofe de costas, mangles y arrecifes sin el deseo superior de abandonar este bote a la deriva? La existencia natural de tierras firmes obliga a buscarnos el camino entre tormenta, exilio y desatino. La muerte nunca será un buen pretexto para huir del destino, ni la nostalgia, ni la culpa de haber errado el camino.

No creo más en saudades patrias. Arrastro mi mochila del destierro. Me olvido de bibliotecas y de amigos como el rio olvida la piedra antes de volverse cascada.  Los amigos tienen suficientes nostalgias para permitirme ser una más de ellas. Entonces, se hace necesario libertarse en despedidas, beber las cervezas del extra-inning y que no acaben los momentos tristes. Yo sé: la muerte no avisa ni adelanta consecuencias… entonces, se hace necesario abrazarse al buen vivir, bebernos las cervezas del olvido y saber que cada uno camina como quiere su destino.

Si hay quien tristemente se despide, há quem felizmente te recebe… 

Brújula de nortes por estrellas

Es fin de año de este 2013. No recuerdo exactamente lo que escribí por este tiempo, hace un año atrás,  pero sé que entre pasiones y el amor, sufría con una soledad muy mía, que me hacía daño interminablemente. Sufría porque entre otras cosas, reales, cotidianas,  pedestres,  el dolor que me invadía yo me le entregaba enteramente, sin desatinos , consciente.

Mi hijo, Benja, tal vez nunca sabrá cuanto me salvaba de la catástrofe, o lo sabía en mi abrazo o en un llanto escondido en un cuarto donde no había nada que esconder.

Recuerdo que por este tiempo, en aquella ciudad increíblemente feliz que es São Paulo, la gente, mis amigos casi todos, se distribuían destinos para la felicidad de cada uno. Entre correos electrónicos y llamadas telefónicas, yo sabía que mi destino-lugar era la soledad.

Y aquella soledad mortífera se vistió de una sutil pobreza y fuegos artificiales ajenos en un pequeño alquiler de un barrio distante. Entre aquellas blancas paredes de luto tardío, se despidió el dolor de toda una vida, y nació, aún sin saberlo, la nueva felicidad de la soledad.

Quien se detenga entender las tristezas, y aún más las felicidades, difícilmente sobrevivirá para escribirlo. Esas dádivas hay que agarrarlas con los dientes, y de pecho abierto, vivirlas hasta cierto final…

Un año después, quemdiabosescreveria?, la brújula cambió sus nortes por estrellas, constelaciones de ojos y danzas, y abrazos de intensa candidez. Llegué a La Habana de esquinas malolientes en el vuelo manso de una brizna en el viento. No sabía cómo habría de ser este viaje – ser yo – porque el presente no tiene sombras ni soles en el reloj del tiempo, y porque la paz de espíritu no teme balancearse sobre la cuerda floja de la vida. Y aquí estoy yo, con los segundos suspendidos en instantes, la felicidad amontonada en los pliegues de mi piel y los amigos escondidos en recuerdos.

Y nunca hubo tanta felicidad en mi Habana: deliciosa y calma, calurosa e infame, maleducada y rara, machista y policíaca, insistente, autoritaria, bailarina y borracha, prostituta y leve, con faltas de ortografía en sus paredes y ómnibus que nunca pasan, limosinas de hierro de otros siglos, e iglesias donde se predica el oro, el tema de los negocios y las “balas”, y los carros que se venderán por toneladas, literatura marginada y poetas que se dedican a inventar traumas, músicos que travisten sus mecánicas, y familias enrevesadas por el pan, el vino, los peces y las aguas, y la diáspora necesitada de calor, y de felices pascuas, como yo.

Entonces, espero entre estas tantas paredes blancas – que no lo son – los fuegos artificiales de los otros, ajeno a tanto y tantas alegrías y tristezas que me aguardan, porque el presente no tiene sombras ni soles en el reloj del tiempo, y porque la paz de espíritu no teme balancearse sobre la cuerda floja de la vida. Aquí estoy yo…

 

drelos

Ni de aquí nem de lá

Na sacada de casa aqui em La Habana movimenta-se a bandeira verde-amarela da ordem e progresso. Pus lá por estar alegre de onde vim, aonde aprendi assim escrever e arriscando meu samba estou gritando meus heróis da solidão.

Soy de un país sin bandera que amanece en mi corazón, renace en los ojos de mi hijo y transpira danzón, congrí y mar azul.

Descobri-me no continente, distante do que eu conhecia e teimava em acreditar. Menti para mim no espelho querendo ser YO, e sem saber da minha própria astucia caminhei em direção de MIM.

Cuando reconocí mis deleites, mi capacidad de sobrevivir y estas palabras sin reino vinieron a coronarme, escribí mi libro de destinos y pasados. En sus páginas invisibles dicté mi cuerpo con extremidades de luz, mi vientre de amigos y pecho de amores. Borré las verdades del ego, mi necesidad de vencer. Desconocí el juicio final… y atiné el destino en presente real y una conciencia sin culpas.

Lá onde me reconheces não sabes de onde sou… aqui se olha no olho mesmo se fosse para mentir. Não reconheço mais essa arbitrariedade da pátria, nem o solo que me viu nascer. Minha mãe que me trouxe ao mundo hoje fala português…

Y mi hijo que también nació de mí, hablará español.