Cuba, uma ilha à deriva.

Cuba, essa ilha flutuante no mar Caribe, me viu nascer em agosto de 1980. Um acaso poderia ter me levado à Miami quando os meus pais decidiram não abandonar a ilha quando eu ainda “morava” o ventre da minha mãe.

Uma infancia de poucos problemas, uma adolescencia divertida, alheios de todos os problemas que se vivia no minha patria. Una familia dedicada e trabalhadora fizeram com que eu e minha irmã não sentissemos os efeitos da cruel crises económica que vivemos em cuba durante os anos 90.

Descubri a poesia enamorado de minha primeira mulher. Mulher sempre foi poesia, sensações descritas em palavras cruzadas e avulsas. Poesia resistente ao mutismo cotidiano. Poesia sobrevivente aos dois anos de Serviço Militar numa Unidade de combate contra armas de exterminio massivo (só o amor sobrevive à morte) em pequenos cadernos que tinha que mudar de lugar para os oficiais não descobrirem. Poesia e histórias narradas em lapiz e ponta de lingua, de insomnias e plantões armados de Ak-47 em cuartéis silenciados pela madrugada e o frio. Narrativa insistente em leitores da mais intelectual das cidades. Escritos lidos e relidos ante públicos silentes que criticavam pelo bem da literatura. Os mestres JAAD, Córtazar, Tchéjov, Heras León e Poe. Os antigos inimigos ocultos da literatura ruim, mesquinhos defensores do plural e do banal: RESISTO. E o prazer de ver meu nome plantando em livros com minha assinatura: ¿Cómo le crecen los senos a las niñas? (Edit. Letras Cubanas), El niño puede (Edit Unicornio) e Escritos con guitarra, uma compilaçao de contos sobre rock em Cuba (Edit. Unión)

Mas é na diáspora que cresce o temor pelo fim das raízes e de longe que nascem os galhos e folhas de um escritor do mar. As histórias antigas, vividas e imaginadas, falsificadas pela memoria e o prazer vem à tona feitos crónicas e passagems de viver. Todos aqueles detalhes de crianças, diferentes de todo olhar humano, descritos pela voracidade de um teclado e a paixão por escrever persistem em aparecer aquí, para mim mesmo, para meu filho, para você.

Cuba sempre foi o paraíso de quem viveu distante, as mudanças de aquele “meu” país. De longe, heróis e um povo guerreiro se resistia diante do grande mundo capitalista de então. Mas por dentro, muitas pequenas guerras pessoais foram esquecidas do manual da História. Outros tempos vistos – e descritos – por quem silenciosamente vivia uma vida comum. Hoje, a palavra é a faca e essas memórias o queijo que irei cortar. Sejam bem-vindos a este jantar especial.

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s