a arte de escrever com palavras

a arte de escrever é traduzir sensações em palavras, antes sempre de que estas, percam a esperança!

Anuncios

diz que

os instantes acontecem nos adentres numa sentença impossível de não creditar: o que vejo é; o que toco é, o que cheiro é, o que escuto é, o que lambo é.

entretanto, sempre é bom enfiar os dedos através das emoções do sentir. diz que fazendo isso a gente morre e volta viver. diz que isso é quando se atravessa o querer, até o amar. 

promessas, nada.

não faça promessa, nunca. promessa é uma porta aberta, para o resto da vida, até o fim.

uma ponte a meias, levantada sobre o abismo do tempo, prestes a cair.

promessa é um pôr-do-sol nublado, vermelho o céu e os olhos. você de um lado da promessa, distante de tudo e de si.

promessa é uma festa na praça, interrompida subitamente pela chuva geada, e tudo largado ao vento do que está por vir.

promessa estanca as palavras na goela da memória, e aguarda insistente o momento de cuspir. promessa é o tumor do real, escancarando o fim do existir.

promessas ferem a morte, matam.

não prometa nada. pois nada em nós tem certeza de ser.

não, nada prometa, nada.

… assobio!

… assobiava o destino. um som dos seus lábios se conectando-se ao meu ouvido. trino sagaz do encontro do meu ser com o seu. o marujar iniciava uma onda de sóis e seus eclipses. um assompro d´um frio. a ventania de um mar entre nós. uma fresta profunda entre eu e sua galáxia. uma cauda de fogo incendiando horizontes sem fios, desfiapadas cortinas do acaso, fluindo em instantes descompassados. o barulhinho repetia certidões, zunido de um beijo afagado em silêncio de línguas, e os lábios, os dentes, saliva, ou sangue dos olhos nús olhos, um abraço sem pele, urdido de peitos e amassos, a sentencia final de um escuro dos olhos fechados, e o arrepio do som do assobio, dos meus lábios, outra vez, o assobio, assobio, assobio…

apanhando lembranças

… tenho apanhado lembranças com intuito de escrever. miúdos instantes de um gesto, a mão quente me abraçando, por trás. o convés de um piscar, que é a chama de um olhar. uma manhã demorada até as seis, antes do entardecer. os passarinhos cinzentos costumam cantar. um compasso dos dias, o agora e o depois, do agora e do depois. os acordos sem limites entre o ser e representar. nada mentia aos fatos. outro beijo sagaz, infinito. desenhando angústias e sonhos, paradigmas sonolentos, nada escrito nas poesias de beira-sarjeta. um silêncio oceânico, insolente. feito uma basta montanha de verdes famintos, diante do qual eu me curvava, engenhoso e entregue, ao devir da sua natureza. ao eclipse entre lagos e sertões. entre mares e desertos. uma força atraente e outra incauta. que emancipavam solenes destinos pro agora e pro depois, o agora e o depois. umas palavras cinzeladas na pele, um mordisco, duas línguas, quatro mãos dilapidando contornos. sugando fluxos ou trasmutando corpos. um suspiro na cor do abismo. tantas ânsias. bocejos com sede. as carnes fritando na relva. impossível desistir do impossível. era uma outra chance, de ser diante do profundo dos céus, dentre do escuro dos olhos, um ser finito, pequenininho, quase nada, sobretudo, contra todo, aos avessos…

manifestos de ser

o que estamos vivendo não conhece manifestos

não pertence aos manuais

nem sequer algoritmos

nenhum efeito paranormal conhecido

desconsiderem-se os mapas

bitácoras

bússolas despercibidas

qualquer objeto material concebido

desconhece acordos

beiradas

abismos

trilhas, senderos, veredas

fronteiras limítrofes

esferas hexagonais

intrínsecos e opostos

borderlines antropófagos

uma linha de luz

que se apaga no opaco silêncio

da vontade interior

de ser…

 

 

ar de diáspora humana

faz quase uma semana não sei de minha familia em cuba. lá estão sem “tempo” de internet. porém a distância há criado uma forma de comunicação diferente, que é o de confiar e de desejar bem sem a pressão da nostalgia. porque cada um escolhe estar onde está. nos amamos e sabemos de nosso amor pelos nossa familia, ora distante. esse amor as vezes machuca pois a distância se perpetua. temos crescido nesse ar de diáspora humana. ter imigrado me fez de outra especie. um ser que habita com ausências e solitudes em demasia. haja sol para estas sombras longincuas. haja vida para esta temporada de hastios. #sobrevivente!

marcos

o fim de ano é um marco. marca de um tempo que veio e passou. do que poderia ter sido e não foi. do que era só desejo e do que aconteceu.

o tempo é um marco. marca o que está sendo e o que não existe mais. o que era para ter-se feito mas que com tempo não sucederá. marca o novo, o velho. vá frente ou dá para trás.

a vida é um marco. marca estar e o além. é de coisas que se vivem e das que deixaremos de viver. é de vida ou morte. de ser ou morrer.

a morte é um marco. marca o saber e o desconhecido. distam as palavras que vibram de um silêncio final infinito.  é tudo ou nada.

as pessoas são um marco, vários aliás. marcam a pele contra a pele. os lábios no encontro de um beijo. arranham, cogitam e mentem. as pessoas morrem, e isso é um ainda bem.

o bem é um marco. marca o juízo dos seus afins e contragostos. seu olhar sobre a luz e a sombra. o bem demarca os daqui e os de lá.

o eu é um marco. marca o que é seu e o que é de nós. divide a responsa, a fome e o insistir. aliás eu somos todos nós.

seja