Milton, minha paixão

… e Milton parou de dizer.

Eu senti o oco no silêncio daquele sentir. Ninguém no mundo podia abraçar aquela nossa solidão. Nem nos mesmos se abraçar, podíamos, porque tudo em nos, se alfinetava num raro ferir.

Milton era meu mais sincero avesso de ser. Minha dor. Meu tesão.

Eu queria ir lá, trás sua sombra fosca, e sem dor abraçá-lo até me fundir em nos dois. Mas ele recusava qualquer contato, não fosse ele quem o procurasse. Assim ficava difícil amar o ser, trás a pele daquele homem, diante de mim.

O amor por ele me doía, transformado numa lágrima límpida que corroia o meu rosto, furando veredas de mágoas conhecidas. Ele mesmo, nem sequer percebia, que enquanto mais ele sofria, eu por ele, mais me apaixonava.

A nossa sombra; pregada em paredes corroídas, em batentes de portas sem saída, em noites de infinitas solidões, era a luz que incendiava o meu destino.

Milton chorava. Eu sorria.

“E do que é que você está rindo?…” ele quem me perguntou, enquanto lacrimejava o oceano daquela saudade. Eu não tive coragem de falar, e nem de mais rir “…diz aí, o que foi?”

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