encantado

… havia de me encantar com o sublime: um céu tingido de vida no fim da esperança, o mar deste abismo sem cura chamado solidão, a beleza contida numa flor singela de pétalas, o vôo desajustado dessa ave andorinha de ser, uma árvore despida, somente  fatos vadios de seus galhos procurando sobreviver, esta terra, tenra e saudosa, escapando dentre as mãos do fazer, a noite clara sem lua, solitária e ofegante, que deitava sobre todo o existir, uns passos distraídos de crianças destoando alegrias dentre os outros, o olhar satisfeito de um orgasmo entre as pernas da fêmea, mulher de este bicho perdido, obsecado por seu próprio si, com a boca mutada em palavras, a fome dos olhos fechados num escuro de raro viver, um abraço cedido à sombra, ao temor de deixar a alma partir neste jogo da vida, e o encanto era o brilho do instante, fulgurando em sóis queimando o agreste, estas sombras-destinos, onde o que mais me encantavam eram os meus dizeres, catatônicos da minha loucura, meu eu de este agora, imponente sobre todes os seres, diminutos,e eu me bastava incompleto, sem dar tréguas às fantasias alheias, ignomínias resultantes do vazio pueril destes outres, que cohabitavam meu ego final, manifestos finitos de mim, eu me amava sem mais, sem ninguéns, sem depois…

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