O mundo aos pés

Abriu as pernas… e abriu-se o mundo.

O último continente afundou na lama.

A chuva era agridoce nos seus lábios sedentos

O olho fixou-me na estaca do tempo.

Ela sumiu nos seus dentres

espirais sinais

sinuosos contornos do esbelto

magnânimas coxas

pingentes, mamilos dourados

brilhantes mordiscos ao sul desta pele

cupim do meu ventre

larva do fim d´umbigo.

Ela emanava em seu grito

sinfônicas vozes

elo do orgasmo

secretas deidades que ela vivia…

Pediu pelo são herdeiro

daquele encontro

do abraço da mão-sobre-mão

das pernas-entre-as-pernas

o ser-dentro-fora-do-ser.

A boca aberta

gemente

o fogo na brasa do peito

pagã das palavras

feiticeira do beijo

artesã do barro molhado

modelando com os pés deste verso.

Ela curvada sob a sombra devota da Esfinge

Eu era o totem por trás do horizonte

do mar de seus gozos

e não havia fim destes cernes

morte do conhecimento

belo animal destas trevas

e estas selvas

livre e impávido

febril

destemida

bicha-sina de homens famintos

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