Um cabelo

Era um cabelo dentro meus dedos. Um detalhe torto emaranhando meu sutil movimento de agarrar as palavras.

Um cabelo era a extensão do teu corpo: um aperto de de ossos e músculos enfeitando o cálido sorriso de dentes e voz. Era aqueles teus cheiros ainda virgens, misteriosos da sua flor.

Um cabelo era as penas multi-cor das tuas raríssimas assas. As folhas de outono da árvore do centro da praça: a única árvore do centro da praça de mim.

O cabelo era, do vento, biruta da rosa-dos-ventos assobiando pro Sol.

Um cabelo era somente a pegada dos seus pés nos meus dias: acaso de acasos, afeitos do afeito – amanheceres do existir.

Um cabelo brincando nas minhas roupas, provocando meus próprios cabelos, agarrando meus dedos, esparramando-se no meu corpo.

Um cabelo entregue às minhas caricias., trilhando um desejo, engasgue da voz, trançando com meus (outros tantos) desejos um flerte-penteado feito por nos.

Teu cabelo dentre meus dedos. Era só um.

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