textículo da linha do tempo

eu gosto mesmo é de flor de outono/

 ela é discreta e abre sem chusma no lilás dourado da sua calada/

 faz cheirar minha surpresa, /

e eu obsceno, para mim a pego.

 

 

rascunhei silêncios exigidos,

no teor de um beijo que não veio,

o anseio fez-se em dobro,

parecia-me a armação de para ganhar de um adivinho

onde quem acertava, perdia

e quem ganharia, era desde antes, merecido;

eu que nunca tive sorte, não desisti do silêncio,

estou aguardando minha sorte

para além e aquém do destino escrito.

 

… há sempre um detalhe de instante para o depois de “este” instante, as rugas na pele não deixam dúvidas do remorso do sorriso, atente, para o silêncio que cobre as manhãs de “segunda”, nem sempre há esperanças para o desastre do “só” – disse o adivinho, sorrindo.

Desconversei do púlpito alheio, na misturança é fácil melindre achar sutil o abraço, no sem-sabor da noite almofada, na conseqüência da sórdida solidão é que conheço a serie de monstros que aninham no ser, é ali que se aprende o amar, o almar da palavra conseqüente, eu quase não mais credito no amor ulterior, da lambada os ritmos dos corpos de dois, ou três ou do além, o amor não é certeza do leal, do atrito real das pedras faísca o sensível verdadeiro, manifestação do sozinho é sorrir feito um louco sem medo de ninguém rir de você: isso eu disse para mim, mas quem ouviu foi o adivinho.

 

pixaram teu nome nas minhas quatro paredes,

no teto,

no chão,

nos azulejos do banheiro.

riscaram teu sorriso no meus olhos vesgos.

 tatuaram-me teu silêncio nas palavras,

na pele seca,

e na ossada.

queriam que não esquecera teu semblante de olhos úmidos,

o sorriso acuado,

o futuro promissor de altas aventuras notívagas.

Gritei-lhes que não precisava,

eras de mim,

dias de outras vidas,

sonhos de tantas madrugadas,

poesia ainda por escrever nesta longa caminhada!

Mas pixaram-me

riscaram-me,

me tatuaram!

 

... e era aquela ilusão o escancarar da razão, feita migalhas de um pão que somente nos dois comíamos, um cortava e com a mão ao outro oferecia, na boca o pão aguava em salivas de um desejo que não nos pertencia, era a fome o que importava, era aquela dor no baixio do ventre, as vezes era tanta o ardor, que nas manhãs, a miséria a trocávamos pelo tesão.

 

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