Nosso facho de azul

Estávamos na trilha na direção da cachoeira no Sertão do Cacau. Um sol rasgava em verdes mais claros um mato de escuro matiz, aquelas árvores mastros da vida, sombra de nosso acontecer. O som apedrejado do rio perto de nossa caminhada. Um facho de azul na testa e los cielos.  Éramos oito. Você e eu, Benja.

Você ia à frente, no ímpeto natural de liderar. Seus passos firmes, nas mãos o apoio, os olhos no aonde? e sua voz de narrar o que está acontecer. Eu ia detrás do seu andar, naquele cuidado  próximo, minha preocupação exigente, minha voz de urgentes comandos.

Num certo momento você quis ficar, não seguir adiante com los otros. Querias, e você disse. Eu topei, e ficamos. Só nós à beira do rio, naquelas poças.

barbapapa bIMG_9754 Nadamos nelas, depois do seu medo do escuro, do frio e da correnteza. Escalamos a parede rochosa do lado da queda, com os escorregadios dos sustos, as mãos firmando na rocha.  Fizemos uma, duas colunas de pedras, dessas que se fazem pensando na construção de um castelo. Castelos de nos à beira do rio. Uma conjura do alto da Torre Babel. Torre dos ensueños e do nosso encontro.

Naquele lugar eu nunca tinha ficado, sempre andando mais à frente no salto de água maior. Sentados na pedra lisa, dentro da água, eu falei “que bom que você quis ficar aqui”, querendo na verdade dizer bom mesmo havia sido aquela solidão a dois, aquelas falas e os sorrisos.

Você criança, me disse “eh, eles não vão saber o que se perderam”. O rio era o mesmo na trilha das águas, lá na alta cachoeira, e ali nos nossos umbigos. Nossas torres de pedras um dia sumiriam nessa mesma correnteza.

“Eu acho que eles estão bem lá onde eles estão” acho que foi assim que eu disse. O facho ainda era azul mas distinto sobre nossas testas e em nuestros cielos.

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“É, nesse momento eles estão separados de nossas vidas” seu olhar arregalou-se à distância, foi um meio sorrindo, um meio abismado. A percepção do instante. O presente na palma da mão. A sombra do eco da voz.

“O bom é estar aqui” eu te disse, e sorrimos com o rio, as Torres erguidas, nosso facho de azul e cielos.

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