É no silêncio que existo

Eu falo e minto, porque se fosse para ser, eu calava. Entre os outros, o silêncio de mim mesmo é quem fala. As palavras que me expõem, saem compulsórias e me traem contra minha própria vontade.

A tendência é o agreste interno. O oasis  mutado do meu mutante. O novo do eu é o silêncio que desconhece as reais palavras do existir.

Deixei de saber dos versos que compõem os ensinamentos nas palavras. Esqueci da comunicação dos olhares que substituem sentimentos. Desconheço a veracidade do julgamento. O brilho do elogio. A raiva do xingamento.

Escrevo porque doe o silêncio: nunca doeu tanto.

Eliminei os substantivos: nada ou ninguém merece um aforismo. Triscam em mim os verbos, ações conseqüentes do tudo que é falar e ser conseqüente. Remoem-se os adjetivos pendurados das frases, brilhantes crus que cegam o que escuto. Nem tempo restaram as palavras massacradas no mutismo do meu fechamento, porque era o fim delas precisamente o que eu procurava.

Mas é tão banal esse processo, porque as palavras me traem e se manifestam.  Jogam-me na ciranda dos amigos, sorrindo, ou cantando ou fingindo, como se fosse eu mesmo quem ali se manifesta. E fazem o arquétipo do sabido, dos passados consagrados em destinos, dos sonhos feito reais, da dança dos corpos sendo um só quando amamos, do lirismo de estas línguas que me dominam e escrevo, da feliz idade de estar vivo, do desapego amoral do meu individuo, do abraço da morte que inspira estes sentidos.

Porém não é real nada disso: eu minto.

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