Assobio para cangurus

Eu cheguei ao prédio, Benja. Lá de baixo, é uma altura de doze andares até suas janelas, que abertas, deixavam entrar a luz do sol se pondo na zona oeste. Olhei lá, e assobiei o nuestro chiflido.

Dias antes tinha contado para você de onde vinha esse assopro familiar, lá da minha infância distante.

Na TV, eu te disse, passava uma série de um canguru que chamava Skippy, que muito experto, sempre tinha que intervir para salvar outros animais ou os próprios humanos, de situações de perigo. Os seus donos, para chamá-lo, assobiavam com uma grama na boca.

Assim, meu pai chamava minha irmã e eu, de pequenos. Não importava o quanto longe estávamos ele dava um jeito de que o ouvíssemos. Às vezes, sob perigo de ficar de castigo, se não acudíssemos até ele o antes possível. Todo mundo no bairro sabia que aquele assobio era para chamar sua tia Evelyn ou eu, então as vezes nos estávamos vários quarteirões de casa, e aparecia alguém que dizia “o seu pai está te chamando”.

Com os anos, virou código entre meu pai, minha irmã e eu, sendo que minha hermana logo aprendeu assobiar tão forte como ele, e realmente o fazia muito alto.

Desde pequeno, sempre te assobiei desse jeito, numa espécie de eco daquele barulho da minha criança interior. Eu, que nem tenho as qualidades de seu avô e tia, tentei sempre te mostrar aquele assopro familiar. Também não havia sido necessário já que na cidade, é difícil você se afastar de alguém adulto.

Ontem, assobiei de novo. Esperei e você não apareceu. Era a altura, o vento, as buzinas dos carros na Avenida perto de você. Era aquela melodia nos lábios do meu pai, no meu bairro, no importava a distância. Éramos, minha hermana e eu respondendo ao chamado do Skippy, e correndo, como se canguru fôssemos, indo em direção do nuestro padre. Era minha irmã, repetindo por anos aquele som, num tom bem mais alto e poderoso. Tudo isso na memória, e no som emanando dos meus lábios, em direção da sua janela do décimo – segundo andar.

Então, você mostrou sua cabecinha, e logo depois um sorriso que brilhou lá no alto, no sol se pondo na zona oeste. Mostrei a mão, e você a sua.

Era para você descer, me abraçar!

Anuncios

4 pensamientos en “Assobio para cangurus

  1. sonido que ecoa no meu de dentro
    ” saudade de tudo aquilo que a gente foi um dia
    mas agora só existem os poemas…”
    os poemas… tão preciosos quanto nós
    amar te, sigamos : )

    Me gusta

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s