Milton e eu à beira mar

Milton descobriu que perto do mar, ele e eu, nos parecíamos mais. “Estou começando a te entender melhor” disse-me enquanto se entregava ao abraço do oceano feito onda sagaz com espumas e algas.

Eu não conseguia fechar a boca da surpresa: o brilho do sol em cada minúsculo espelho quebrantos de mar, a brisa riscando cada barulho, o terrível azul dos céus, as montanhas acabando ao entardecer.

Milton ali na frente, fazendo de silhuete luminosa, no caminho de tudo, na minha frente abrindo o caminho, do sol e da sombra. “Você está vendo isso?” ele falava, eu ouvia-o extasiado, ambos, diante daquela imensidão.

Levamos um tombo da onda que veio depois, silenciosa e abrupta, como o azar. Deixamos nos levar nesse vai, nesse vir. Estávamos vivendo sem questionamentos, no agora fluxo das marés.

Gastamos as horas com silêncio, só olhando, vendo o tempo passar.

Acho que o sol perdeu-se no sudoeste. A onda acalmou. A serra do lado oposto do mar desapareceu. Milton e eu ficamos boiando na noite, na maré das estrelas.

Era lua nova. Escurecia.

Escurecíamos.

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