Desmemoria

Na noite habanera, a escuridão só não podia com a lua cheia.Mas a lua é cheia em todos os cantos da Terra.

Eram as mesmas paragens: ruas retas coloniais, charcos de água podre no asfalto, lençóis brancos nos balcões, gente tristemente alegre. A maquiagem era post-revolucionária.

La Habana continua sitiada militarmente. A fama do governo na ponta do canhão frio do revólver.

Fugi do acosso. Silencioso. Estava frio: um raro frio, do qual não tenho registros anteriores.

Encontrei os velhos buracos na calçada da minha infância. Cai neles, um par de vezes. Era a minha torpeza de alguns anos passados.

Procurei minha agenda telefônica. Meus contatos eram fantasmas transoceânicos omissos. Cada um, seu caminho. Cada um, seu destino. Cada um, a verdade: lembrei-me de uma serie na minha adolescência.

Não encontrei ninguém para lhe perguntar pelos meus amigos. Os poucos que ainda tinha, eram ainda meus amigos, porém não éramos mais os mesmos. As gargalhadas escondiam os silêncios, a diferença de tantos anos ausentes. Eu, deles. Eles, de mim.

Depois fechei a porta com tranca. De que servia o passado no olvido? De que servia lembrar o que não existia mais? A porta não tinha chaves para entrar ou sair. Fiquei só; comigo.

Senti falta do mar: do sol silencioso entrando no oceano, uma estrela nascente, silenciosa, sobre mim. O mar era o mesmo em todos os cantos da Terra: meus amigos também.

De que servia eu sem tudo que yo fui?

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