O sonho do lápis verde

Tinha um prédio abandonado. Quase um colapso pediam suas paredes resistentes. Paus apuntalando suas velhas paredes. Uma imagem habanera do desastre humano-arquitetônico que reside em mim.

Eu insistia em ficar. Atravessar aquelas pontes improvisadas de madeiras sobre o abismo de mais de vinte andares. Entre aquelas paredes que desejavam a queda, e a minha morte.

Ouvia umas vozes-meninas: meninas sonhos.

Demorei um instante-sonho em perceber que eu estava acima do meu (futuro) cadáver.

Debaixo, suspendido, um canhotinho de lápis verde sobrevivia à queda e a minha morte. Eu tentava seu resgate, por vias de alguma alma boemia escrevinhadora.

As tábuas tremiam. Eu não.

Alarguei minha mão. Não tinha certeza do por que, mas aquele pedacinho final de lápis significava algo para mim. Algum final verde, com ponta afiada: uma historia para escrever e viver: assim é minha vida.

E vida tem morte: historias tem fim.

A tabua e eu éramos só um sobre o abismo, e a queda era iminente e necessária.

Cai.

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Un pensamiento en “O sonho do lápis verde

  1. se o sonho vai dessa cor(no importa la deconstruccion tem lectura direita com sua preocupacin constante) entao fico feliz pq con essa cor te faz muito por ver, por viver e compartir. tem racao a morte tambem vida.
    bss Larga vida!!!

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