Milton às avessas

Nunca dá para conhecer quem é o verdadeiro Milton. Inconstante em seus argumentos, ele muda sempre o lado dos seus posicionamentos.

“Paradoxo de cú é rola…” disse de ponta cabeça, as mãos no chão, os pés esticados, abertos, contra a parede branca de casa.

Fica com frio, abre a janela. Sente vontade de andar, e se fecha sob os lençóis.

Eu, do outro lado do nosso ser, restou-me o oposto de seus inversos. Nem parece complexo.

Quando está amando, sofre a solidão do abraço. Sorri a partida do amor balançando uma ereção clandestina entre as mãos. Depois, no reencontro saudoso, afasta-se do abraço num tranco violento.

“Eu não me entendo…” diz Milton, eu suspiro vendo o redemoinho de folhas que gira entorno de um invisível vento silente na clari-sombra da rua “… e nem quero” eu completo.

Nem mesmo eu, do outro lado de mim, o compreendo. Dele só sei os silêncios, calado é que ele fala o verdadeiro.

Eu rabisco estas ideias. Milton lê-me com o pensamento, sorrindo, sai de perto e de costas, distante, me solta “ei la ai, ta ai você, mentindo até para você mesmo”.

Eu não o enxergo. “Milton?”

 

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