A profecia de JAAD

                                                    A mí maestro e amigo,

                                               Jorge Alberto Aguiar Diaz,

                                                  todo la gratitud que cabe

                                                       en estas cuatro líneas

Son tres las etapas de um escritor”, dizia JAAD como se fosse um mantra “narrador, escritor e maestro”.

Ele é meu primeiro mestre. O primeiro que me ensinara perder o medo com as palavras, e mais do que isso, quem me mostrou me libertar nelas.

Tú eres um narrador…” me disse, confiando na amizade que começávamos escrever juntos. Ele manifestava seu olhar de descobridor de almas gémeas flutuando nas ruas daquela cidade sitiada pela fome e pela apatia política.

Conhecemo-nos numa oficina de escrita que ele ministrava no Centro Habana. Era o mais irreverente dos escritores que conheci. Sentava lá, com um charme sedutor jogado sobre cada uma de suas frases e gestos. Uma crítica azeda sobre a realidade que vivíamos, lá nos estertores mortais da “revolução cubana”. Naquela livraria do boulevard  de San Rafael renascia a literatura cubana, com senso crítico e sinceridade poética.

Demorei muito para entender aquilo que falava. Sobre atitudes e obrigações de um escritor na sua função social. Sobre a intensidade nas formas de viver. Da poesia contida no cotidiano. Sobre a lente mágica do observador daquilo que só os escritores enxergam.

Entender não significava compreender. Entender significava sentir, ser, viver.

Eu era um narrador. Ia pelos dias escrevendo os meus segundos. Desejando meus verbos e inalando os adjetivos. Sujeito, omisso. Complementos vários, distintos, diferentes, todos e todas.

Eu dizia com a mente: olha o sol abrindo-se entre as nuvens. E as nuvens se abriam deixando entrar o sol. Assim, viajei, sonhando. Amei, desejando. Perdi, querendo. Sumi, assumindo. Desisti, escolhendo. Carimbei, com o silêncio. Despi-me, nos versos.

Foi JAAD quem mais duramente criticou meus rabiscos. E por ele, eu sabia quando um texto meu estaria completo: eis que eu era opostamente contrário a maioria dos argumentos que ele tinha sobre a minha escrita.

Ele foi perseguido pelas suas ideias. Misturou literatura e política e deu o caldo que a policia castrista desejava. Tinha formado uma guerrilha literária de jovens que deixavam de obedecer ao sistema. Tudo muito bem tramado nas rimas de um soneto. A liberdade tocava nossos corpos e nossas prosas.

JAAD e eu tivemos rumos distantes. Ele teve refúgio na mãe Espanha, e eu vim pros sul da América. A migração é o pior assassino da literatura cubana – ou de todas. Mas foi assim longe que eu aprendi minhas melhores palavras: y este portugués que aprendi aprendiendo.

Eu era um narrador e ele o mestre. Entre abraços e encontros, um caminho se fez inevitável: o de entender aquele mantra profético “narrador, escritor e maestro”.

Fui indo: mi camino. Escrito com dias de dor e glórias, naquela gangorra cotidiana da alma.

Hoje está decidido mestre, o que estava escrito na sua profecia: mais um discípulo que avança nas suas palavras: escritor porque escribo lo que vivo en vida. Nada mais, e nada menos.

Gracias Jorgito….

 

 

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