Crônica para um adeus.

Se eu for embora – ou se já fosse – não pense mal, não reaja. Sou um animalzinho callejero que transito a desdém pelas beiradas. Vou caindo pelos cantos como chuva na ladeira, como sombra que esparrama no fim da tarde sobre o asfalto. Eu não sou nem isso. Sou de uma dor terrível que não sossega nem da trégua: a poesia ou estes textos que tento, são a plena dor que de mim foge, e não adianta segurar o sentimento, pula fora, jorra vento na rosto de mim mesmo. Não me vê hijo, deve ser que estou sorrindo no outro canto da sala, ou chorando detrás de ti mesmo, segurando-me mais forte no teu abraço esperando cair a última lágrima.

Eu disse, e tento, tentei com minhas poucas forças meus intentos, sempre banal, sempre pouco útil, pouco ágil para me converter no real que precisamos. Eu tive fome. Eu tive noites solitárias no deserto desta cidade manifesto, cidade de compras bem pagas, de bens refeitos, hereditários e de  créditos. Eu vim com pouco mais que uma fantasia, vestido de uma paixão pouco vestida, de uma ilusão macabra e paguei o preço de dizer adeus a todo que tinha. O que era para ser, assim foi feito, refeitos contratos com a nada, e disse adeus a qualquer cadeira que o destino inventara para o meu sossego. E disse adeus, a violência do silêncio, à magoa do amor partido ao meio, disse adeus em silêncio, calado com o pouco que no meu colo eu aguentava. Não pedi nada. Me contentei com o real, com o humilde e necessário.

Você, melhor que ninguém sabe, as artes mágicas de nossos trajetos, de nossos artifícios para sermos, das caminhadas, dos amigos e amigas parceiros, dos sorrisos que todas e todos nós regalavam porque era verdadeiro o abraço de nós sendo. Precário era o sol e a lua iluminando, porque ainda lhe faltavam ao Astro Rei e a sua rainha, a verdadeira essência do nosso encontro.

Se choro é porque não me cabem mais saídas para a dor. Dor escrita tem um que de beleza, um que de certeza do que tudo vai passar. Mas a dor que doe marca na pele, fere nas lágrimas, mata o coração. Eu fiz o que de mim, eu esperava. Outras coisas, os outros poderiam esperar das minhas lágrimas, mas cada um, você isso terá que aprender, cada um tem o dom de ser aquilo que acredita ser.

Se eu fui embora, não espere, seja, caminhe, procure o seu verdadeiro ser.

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