Último ciclo de sete

É só um período continuo, sem pausas de dias ou de noturnas situações: minha vida, esta … um voo tardio, demorado em prazos papéis, amor à distancia, pedreira foi pouco, ligações atemporais,  uma família dividida naquele última linha amarela, ajuste-se os cinturões, em caso de emergência máscaras cairão, minha Amazonas silenciosa lá embaixo, tão distante como nos telejornais, o abraço expandido, um pranto calado alegre e mágico, depois infinito jamais, e a mochila rasgou rematando qualquer tentativa de volta, eu nem sabia o que será seria, e virou balada, tanta festa de tanta alegria e tantos encontros de só um dia, e virou palavras sem sentido, conversas sem saída, lugares sem historia prevenida, e vingou saudades, sem sabores do real e imaginado sofrido, tanto silêncio de novas palavras e emoções, e o começo essas extraordinárias primeiras pessoas com outros olhares que falavam em um língua que desconhecia, e o mutismo do que existia não sendo possível: inexistente /// eu havia traçado um caminho, agora estreando personalidade, adeus toda relatividade anterior, sonhos dissidentes e mesquinhos, sexo continuo em berço imenso, aquela festança à paulista, cidade sem horizontes nem mares, esses instantes impensáveis, transitáveis hoje só com memoria perdida, memoria esquecida e reaquecida, café quente recém-feito, o sabor do prazer entre pernas e o fogo contínuo do homem que em caverna sobrevive: sobrevivo /// as rotinas esqueceram suas tarefas… noite larga, comes e bebes, o amor levantado dos chãos de asfaltos, o sorriso infinda, “os” viagens pela estrada, em praias desertas nordestinas, os retornos continuo do passado, do pesadelo das lembranças que esmagavam, resistência e relutância, mera capacidade do individuo resistir vivo, sombra persistente de feliz feições e de pertinentes à procura de qual verdade?  de qual sentido? não de esta vida e menos de minha morte! /// e a verdade alheia, por ser de outra pessoa ou de outro tempo em paralelo, meias-verdades desfeitas, a intransigência do presente verdadeiro, sendo em outros tempos passageiros, havia desistido ao meu  meio cuerpo, abandonado meio eu no caminho de mim mesmo /// e o relógio duplicou qualquer expectativa, nem havia? fiquei ficando, o abraço extenso, tão largo e tão denso, tão sendo, e o que o fluxo trouxe na chuva naquele verão de outros tempos, escorreu caindo no sem fim da agua caindo, sombras das grutas do intenso, beira mundo de abismos, poesia concreta do novo paradigma esta língua, país com invernos, tantas datas comemorativas, tanta hipocrisia urbana, tanta repressão do individuo, tanto amar e amares tantos, tantos verdade meio sendo e presentes verdadeiros /// o sol saiu pelo leste, nada que não surpreenda quem não quer surpreso, abriu o mar as pernas e dela sendo, surgiu da montanha marinha o deus das plantas verdes, dos bosques nativos e medicinais, nasceu num corpo próximo, num alguém desconhecido, sem nome, tinha vindo atravessando tormentos de agonia, a triste morte de alguém que não mais existe, eu chorei milhões de segundos na solidão do último corpo que eu tive, matei o iluso, morreu de frente erguida, sorrindo diante do meu corpo sorrindo /// um filho, e a vida bebeu todos seus sentidos, engoliu a noite, descobriu o lamento, silenciou movimentos, suspiros de prazer ou de dor, doendo, caminhou berlindas, desbravou saudades, qualificou os berros, poetizou os choros, matematizou as frutas, ou legumes, as carnes e grãos, tudo no refluxo continuo sem fim, sem fins /// e a loucura dominou as datas, perdi a bússola dos sentimentos, não sou bom que afinações sentimentais, perco-me como me perco na esquina errada, como quem chega na festa um dia depois, e o tormento atravessou distâncias, balançou verdades do ódio e do tédio, bateu as trancas, as portas, abateu janelas e distantes sonhos reais, onde terminava a dor?  onde iria renascer o ponto de partida? cabulei de amarras, soltei a dor nas ventanias da cidade agonizante, cinza o revestimento do alma, e a mão carinhosa do deus de santas almas, do amor escondido sem palavras, dos adeuses de remorso roídos, os mais tristes entardeceres do destino, e o silêncio ditando as palavras menos conhecidas, sobrevivi, como só quem sobrevive, sabe /// e conheci os novos presságios caminhos, mochilas recarregadas, chaves mestras de praças pôr-do-sol, motéis de calunia, noites sem estrelas guias, só os trens, ónibus com qualquer destino, dei a mão, de olhos fechados e peito aberto, os amigos todos desconhecidos, todo diferentes distintos, e seus hábitos todos difíceis, todos com sorriso aberto e de choro calado, todos com momentos duros, com detalhes ínfimos, e testei as brisas, aquele vento que beira à doçura e a calma acalma, leva onde se quer mas para chegar, não sabendo, se chega de modos que não se controlam, escrevi mis versos, persisti na inoperância da importância, não queria querer, nem ter, tendo, desaprendi os arquivos, a estocagem somente dos momentos, os reencontros fortuitos que repetiam meus sorrisos, somei a vida, restei o inquérito, apenas sonhos de minhas mãos e os frutos do que quero, e pouco, por ser eu mesmo, quem queria pouco, feliz e triste igual sendo /// amei-me, amei-o, amei-a, amei-os, era o único jeito, a festa ia ter luzes e sombras em iguais escalas, a simplicidade do café matutino, das tardes de chuva e invernos, dos trilhos variáveis, dos caminhos infindáveis de todo e qualquer amor, do mistério da sem-palavras, dos olhares sem motivos, das multidões desconhecidas de possíveis encontros, dos planos de voo livre por Américas e continentes, dos oceanos dos corpos, da poesia redescoberta por me salvar da dor de viver e a dor de ser feliz.

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