Na caminhada ao lugar nenhum.

Vamos imaginar uma caminhada para lugar qualquer. Pretender o lugar nenhum. Uma caminhada juntos, de vários, muitos nesse lugar do além. Ou lugar do aquém.

Não vou colocar expectativas comuns, nada mais do que um ponto para atingir. Mas, só cumes interessam, sendo humanos, nada no meio é de nossa vontade.

Cada um de nós, do seu próprio plural, encontrará quem vai acompanhar você.

Cada qual com sua meta real, sua capacidade de ser e céus alcançar. Cada um com seus medos e suas inseguranças. Mas juntos, nessa caminhada para lugar qualquer num lugar além.

Na travessia, cada um seu esforço e seu ritmo, iremos achando as conversas. Aquele momento trivial do encontro, vestindo palavras e gestos, tramas, instantes do belo, horizontes comuns, experiências, fatos. Todos inevitavelmente fugazes, passageiros perante o tempo.

Nas pausas, aqueles instantes fúteis para descansar, encontraremos novamente todos os companheiros desse caminhar. Cada um ali com suas metas, sua capacidade de ser tão, sua possibilidade de ser não, seus céus amanheceres, suas tristes chuvas, suas noites per noite, sua própria estrela guia.

Juntos, naquele ponto, aquele céu parece ser só um. Unicamente para todos. Sonho comum possível de quem abraça uma caminhada a um ponto num lugar aquém. Assim de perto, a realidade ao redor aparenta ser uma, assim como a meta, a capacidade de sermos, a possibilidade de não ser.

Sendo humanos, o cume grita, chamando por nós.

Na relargada, o cansaço geme, o peso aumenta, nossa meta foge. O céu rasga-se em solidão. As pernas tremem. Nosso hálito faz parte da conspiração ulterior. O sonho comum, sendo de cada um sua própria adaptação.

Ressurgem por causa natural as novas conversas, refeitas no ritmo e esforço. Um abraço de quem tem por tanto, parecidas vontades, similares forças, desejados os mesmos intuitos.

Veremos lá no final, os aguardados. Os quase desistentes, de fracos ou poucas intenções. No meio, ali entre a folharada e os segredos aqueles que espremem os segundos, ancorando em cada instante, em toda sombra ou em cadas uma das palavras. No começo, os perseverantes, seguros de si e presos flagrantes de uma necessidade absurda de chegar ao cume.

Sentados novamente, no círculo final da caminhada, nossa vida vista por cima, parece-nos pequena diante da imensidão e basto da vida geral, os céus comuns e sonhos máximos.

O silêncio do lugar do além. Do lugar nenhum. Do aquém em nós. Do além de lá, invade. É é tanto que cala todos e toda vontade. Não há lugar onde ir…

E ninguém que nós acompanhe!

No retorno – lembrando: só cumes nos interessam – qualquer compreensão é banal. Dentro de cada um, na conversa, no abraço fugaz do encontro, todo é feito de interiores, nada brota para fora, nada nasce para cima. Tudo é do avesso, e possível.

O silêncio grita. O destino é outro.

 

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2 pensamientos en “Na caminhada ao lugar nenhum.

  1. O cume, a meta (a seta) o além

    E o ir

    Como bom texto, me põe um enigma, e agradeço

    Por pregiça e por raiva (minha, agora sim minha) é q não presto o mesmo apreço

    Andando em texto.

    Hoje um nunca, um dia, cara, não prometo

    Um dia vou xingar esse texto, agora rio eu não mereço

    Para você Demis

    Me gusta

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