Pequenas fantasias de moleque

Um dia, lá na adolescência cubana, tramávamos um camping de uns cinco dias. Só os amigos mais próximos da esquina. Eu não tinha grana suficiente, e não podia pedir aos meus pais.

Faltando dois dias, sem solução financeira, veio a “cabulosa” ideia. Meu amigo Alain, mestre dos bicos e as tretas, e eu, íamos passar um filme em casa para os moleques menores, e cobraríamos um troco pela entrada.

Em Cuba, nem todos tinham videocassetes. Lá em casa, pelo meu pai, tínhamos um, e seria a saída para irmos ao camping com uma grana a mais.

Fomos trocando ideia com os outros meninos menores, nós tínhamos que? Dezesseis anos, máximo dezoito.

Eu pensaria disso aê, pô pagar para assistir um filme, a molecada junta? Razão do que? Não era que ninguém não tinha vídeo em casa. Mais e o filme pornô!?

Isso, o filme pornô.

Minha mãe sairia de manhã, só voltando de tarde. Minha irmã, talvez na escola. Meu pai trampando. Minha avô, no quarto dela ou viajando, não lembro.

O quarto, duas camas, a da minha irmã e a minha. Os moleques “sentem no chão, hein!” tudo comandado. Tem que fazer silêncio. Tenho certeza que a maioria iria ver aquilo pela primeira vez. Eram uns sete deles, mais Alain e eu.

Tinham pago a graninha. O filme passando, a zoeira, zoeira boba de moleques, tiração da pesada, brincadeira, sorrisos o tempo todo. Eu, a tensão e a bobeira, dinheiro de brincadeira para continuar na brincadeira. Alain e eu, rindo a toa e tensos.

Daí, a luz acaba. APAGÓN! SE FUE LA LUZ, COJONES! Lá a eletricidade, acaba do nada e sem previsão de voltar.

Zica, é pouco irmão. Mas, oh, todo mundo quieto. Os moleques, “então não rolou o filme, não rola a grana”, e a luz não voltava, imagino que alguém foi ao banheiro, tiramos onda, todos tensos, e felizes. “Peraí, não é assim não!” e a tensão tomando conta, subindo, dominando.

A luz volta. Ufa, põem de novo. O filme tá rolando, na boa. Eu e minha pequena fantasia de projecionista de filme. Eles, a maioria, assistindo pela primeira vez um filme pornográfico. Nós dois, a grana fechada. O camping resgatado.

A luz vá de novo ainda com o filme sem terminar. Eu falo “bom agora já era”. Eles reclamam, esperamos um pouco, e como não voltava, combinamos de terminar aí. Abro a porta, e quase já na saída de casa, minha mãe chegava.

Ela conhecia todo mundo, meninada da rua e do bairro. Saímos na boa.

Sexta feira, rolou o camping.

Anuncios

2 pensamientos en “Pequenas fantasias de moleque

Responder

Introduce tus datos o haz clic en un icono para iniciar sesión:

Logo de WordPress.com

Estás comentando usando tu cuenta de WordPress.com. Cerrar sesión / Cambiar )

Imagen de Twitter

Estás comentando usando tu cuenta de Twitter. Cerrar sesión / Cambiar )

Foto de Facebook

Estás comentando usando tu cuenta de Facebook. Cerrar sesión / Cambiar )

Google+ photo

Estás comentando usando tu cuenta de Google+. Cerrar sesión / Cambiar )

Conectando a %s