A morte do Milton

“Milton, cadê você?” pergunto para mim no meu silêncio interior. E o meu silêncio responde…

A última vez que soube dele, alguma triste premonição me cercou. De fato, a vida ficou mais tensa, concreta, dificílima. Nessa correria toda, me esqueci de invoca-lo para sorrirmos juntos. Ele também não me procurou.

“Milton, Miiiiiilton…” nada, ninguém contesta.

O meu malvado favorito esqueceu que minha solidão é péssima companheira.

Esqueceu-se de mim. Esqueceu-se dele.

Eu não consegui escrever seus últimos suspiros. Minhas palavras que eram dele. Perdi seus gestos na nebulosa realidade. Não ouvi a voz de ele me chamar pelo nome num murmulho. Não senti o corpo nosso se roçar na minha pele.

“Cadê…?” era um pranto que fez eco e voltou para mim “… eu?” meu espelho interno devolvia-me um Milton intacto. Quase um eu mesmo, perdido e solitário.

Eu não sabia dele, e desconhecia de mim. Fiquei abismado diante da escandalosa fenda entre eu e eu mesmo. Um buraco fundo sem fim. Poucas palavras, e ainda menos gestos. Quase nenhum ato.

Estava morto, Milton e eu.

 

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