A vez que a policia me chamou para depor

Intimações policiais são comuns em Cuba, do tipo político-censor, repressor.

Uma vez conheci um grupo de norte-americanos, estudantes de uma faculdade que estavam de visita em Cuba. Tinham se dividido por temas de pesquisa. O rapaz que conheci, teria que pesquisar sobre a saúde em Cuba, as experiências de missões médicas, ou a Escola de Medicina Latino-americana, com sede em La Habana.

Durante uns dias levei ele conhecer amigos que trabalham ou estudavam medicina. Levei-o em um hospital. Depois conhecer o consultório médico do prédio onde eu morava.

Ele fez suas conclusões e voou para Boston.

Dias depois, um oficial esteve na minha casa e entregou uma citação para os dias próximos, na estação policial do meu município.

Rolou aquela tensão em casa de eu ter feito algo errado, mil hipóteses. Fui lá.

Numa daquelas salas clássicas de cinema americano policial, ou de qualquer ditadura militar, um policial à paisana, tipo inspetor, fez-me várias perguntas. Respondi sem muito medo, e deduz que aquilo tinha relação com meu tour com o garoto norte-americano.

Naquele ponto, já eu achei aquilo tudo uma palhaçada. Alguém, entre as mesmas pessoas que tínhamos entrevistado, teria advertido daquela projeto dele, a policia.

No final, o cara fez-me a proposta: quer trabalhar para nós? No meio artístico, tem muitos intelectuais, dizia, que não são a favor da Revolução. Sabiam que eu era do bem, dizia, que seria muito valioso para a defensa das Conquistas, dizia, do Socialismo.

Falei que não cooperaria com nada. Que eu já tinha vida para cuidar, projetos, enfim.

Anos depois, amigos meus, próximos alguns, contavam dessas experiências. Tinham sido abordados, chantageados, incriminados, perseguidos. Na real, nunca saberíamos ao todo, quem desses próximos trabalhavam de fato para os esquemas de segurança política do governo cubano.

A brincadeira era: que de cada quatro cubanos, um era informante do governo. Mas de fato, isso não era uma brincadeira, pois a policia trabalha com esse tipo de abordagem, repressor e chantagista.

Muitos dos meus amigos daqueles anos, os que ainda vivem na ilha, tem sofrido durante anos, citações, sequestros e intimações por parte da policia, o braço militar opressor do governo cubano. Escudados sempre no discurso de que estão cuidando o patrimônio revolucionário cubano em detrimento da falta de liberdades individuais.

Intimação policial feita á blogger cubana Lia Villares

Intimacão policial feita a blogger cubana Lia Villares

Não há diálogos. E de fato, acontecem sequestros, pedidos de apresentações em delegacias policiais, escutas telefónicas, pressão nos centros laborais ou meio artístico, censura na mídia e outras práticas comuns de ditaduras militares ou ideológicas.

Tem uma luta legítima, popular, cívica que pede entrar no diálogo com o governo que omite, a través do argumento de que estás pessoas são comandadas e patrocinadas pelos americanos, em discutir sobre os rumos de uma nação. O governo não só omite, senão reprime, coage e ameaça qualquer tentativa de mudança ideológica ou politica.

 

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