O amor em tempos de mágoa

O que sempre me doeu mais de um amor, da perda de um amor, foi a mágoa que ficava depois do quebranto, do triste adeus, do fim.

Doeu-me tanto quando fui eu quem disse adeus. Doeu-me mais quando me mandaram embora.

Depois da ruptura, a mágoa dava conta de todo o relacionamento: do que tinha se vivido antes mesmo da ruptura, e logo depois, o que restava depois do término.

Em quase todos esses finais, a mágoa emanava, convidada pelos amantes, para carimbar as despedidas. Era aquela frase que antes ouvia, e que eu não entendia a relação direta: o ódio é o oposto do amor.

Mas a realidade é pior. A mágoa, esse ódio avulso e destrutor, aparece justamente quando o relacionamento, gastado pela forma de amar, não é capaz de acabar por si só, pelas próprias e mesmas forças que juntava e acasalava o amor. O ato final é concebido em segredo com outras forças, que não as do próprio amor que chega ao fim.

O amor não, e sim as pessoas que se amavam (amávamos) não tendo a responsabilidade do fim, do triste adeus do amor, fazem pacto com a mágoa. Mesma mágoa que tomara conta de tudo o que tinha se vivido enquanto amava-se e, após o fim.

O pacto com o ódio é construído aos poucos com os silêncios que muitas segredas verdades acarretam. Silencio doloroso de que o amor acabou. Silêncio da falta de sinceridade interior.

A maioria das vezes, na falta de consciência e responsabilidade, fiz parte desse jogo amor-ódio; acuado no medo da perda do amor e pelo medo a solidão, calei as necessárias verdades, e em outras tantas situações que enfrentei e disse as necessárias verdades, foram então caladas na escuta pelo medo a solidão e por medo da perda do amor.

(Silêncio.)

A mágoa passa, porque tanto o amor como o ódio são escolhas feitas no centro do peito e nas profundezas da nossa mente. Às vezes sucede que a mágoa sobrepõe, esmaga, todo o vivido durante o amar, daí o amor sucumbe ao tempo. Resta nada nos vácuos da memória. Adeus aquele amor.

(Adeus.)

 

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