Milton e a solidão

“O que será que eles sentem…?” Milton me pergunta, e entendo porque eu fico também na dúvida “os outros, digo”.

Eu olho as pessoas caminhar pelas calçadas, feitas nuvens avulsas, decompostas, sozinhas em si, e o silêncio delas.

“Você, ao menos, me tem…” ouço o possessivo e fico arrepiado. Éramos tão próximos, tão um… tão só.

A vida em sociedade afastou os homens da sua existência, a própria e única: a solidão. “E a família…” Milton pausava “os amigos, os namoros…” eu o ouvia dentro de mim “então como faremos?”

A questão era de vida ou morte para Milton. Para nós dois.

Nas calçadas, subitamente, as pessoas ficaram estáticas. “É o silêncio”, diz Milton e fica feito nuvem avulsa, decomposto, sozinho em mim.

Todo mundo tem um Milton.

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