Por si próprio

Sozinhos em si, assim até que parece difícil. Solitários enfim, é a única verdade que temos. Dentro de cada ser, somos cada um diferente, distintos de todos. Sós…

Então como conviver com os “outros”? Como relacionarmos entre si? Como amar?

Esse amor entre nós todos é o principio de uma grande solidão. Para amar, precisa-se sentir primeiro o amor em nós. O amor por nós. Qualquer outra variação do amor, que não comece e preze pelo amor próprio, terminará seus dias numa tristeza só. Só dor…

Nas relações muito próximas, família, casais ou roomates onde o convívio dilui as fronteiras dos indivíduos, o amor próprio, quase egoísta, é muito mais do que fundamental.

Em família, vivemos aprendendo com comportamentos alheios por muito tempo. Sem outras referências, aquelas maneras terminam nos moldando até parecermos com esses nossos familiares. O amor próprio se divide e multiplica em muitos outros amores que nem sempre são tão amados. A falta de enfrentamento entre as pessoas, ou pouco espaço para a sinceridade, vá gastando os afetos. O amor de si, abalado, sofre e magoa. Abala e afoga. Mata. De aí, que tantas vezes, dessas relações tão duradouras e pouco questionadas saiam tantas faíscas.

Nas relações afetivas do amor, é indispensável a confiança. Confiança de que a pessoa que acompanha, que nos acompanha, não está medindo ou testando nossa existência. O afeto, aquilo que realmente nos aproxima, não corre riscos. Os corpos se juntam e a energia desse encontro reflete a verdadeira natureza do amor.

Para estarmos juntos, acredito, a pessoa amada – com seu amor próprio completo – se aproxima não só para aprender ou crescer ou ser outra, e sim para viver aquilo que ela é, em sim própria, por si só, sem por questionamento ou juízo naquilo que somos, e vice-versa à espera de um questionamento ou juízo daquilo que ela é.

O que somos, é constantemente modelado pela presença de outros. O amor então é irremediavelmente modificado pela presença dos nossos amores, mas é o nosso próprio amor, único e individual, que nos acompanha na caminhada. Perceber ele, íntegro e natural, é das maiores empreitadas do humano. Para amar.

Para amarmos.

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