O Carnaval do Milton

Na quarta feira de cinzas, Milton se fantasia de Marla. No Carnaval, a nossa barba combina perfeitamente com as unhas pintadas, o batom rouge e os brilhos exagerados perto dos olhos. “Tá uma diva essa moça…” solta ela olhando para mim nas vidraças da lojinha de espelhos.

Caminhando na multidão com uma cerveja na mão, Marla procura pelo começo do bloco, perto da singela bateria de amigos bonitões. “É aqui que chegam as meninas mais expertas, saca?”.

Quando começa a batucada, Marla joga pro alto, confetes, gritos e o sutiã. Dois babacas lhe apertam a bunda e a bochecha. Eu não revido “isto é carnaval, fio” me diz ela, com um sorriso orgulhoso.

Marla pula. Acompanha as marchinhas. Dá um help empurrando o carrinho do som. Uma coroa nos rouba um beijo. Ela cumprimenta gente que conhece, mas que não nos reconhece.

Na dispersão, bastante bêbados e com os pés doloridos, Marla se senta na sarjeta. Ela estende o copo na espera de uma doação salvadora “como ficou a minha maquiagem?” me pergunta se fazendo de tonta.

Eu não respondo, apenas consigo enxergar.

“Carnaval é muita hipocrisia…” ela joga o copo longe, ficamos de pé, tremendo   “… todo mundo finge que é outra pessoa para melhor se divertir”, e empurra alguém que passa perto de nos.

Afastamos-nos do bloco, e Marla ruma para a estação do metrô “fiquei com saudades do Milton”. Deixa ela falar.

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