Páginas Amarelas

A poesia não paga as contas, Baudelaire. Poesia é coisa leve, sem osso nem sustento. Ninguém que lê paga um centavo por palavra nenhuma. Agora que acabaram os tempos de Lautremont e as peles de Schiele, agora que cessaram as noites de Bukowski e as ninfas de Nabokov, o que fazer com este caminho apalavrado que me inventei de estrada.

Ponho do lado o copo. Jogo janela fora os meus livros empoeirados. Não teve nenhum ensinamento dos poetas de outras vidas: como viver de poesia? como sobrevive um poeta?

E agora Milton? Fazer o que com os projetos de romance, com o livrinho de 30+1 contos das nossas peripécias cubanas? Será que acaba assim, o destino de nossos verbos e o happy ending de nossos personagens? 

Não importa a fome. Nem o sobe-desce da espiral do cotidiano. Não me preocupa não ter como pagar os ônibus, as contas, as cervejas. Me ocupo: como fazer para viver escrevendo? o único sentido que tem esta existência.

Me diz algo Caieiro: não é que as vezes, o real és real em demasia?

Necessito um trabalho…

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