Aos ANÓNIMOS com amor, do Milton

“Queridos leitoras e leitores…” era Milton quem ditava enquanto bebia de um copo americano “… eu escrevo por desejo e vontade…” eu quem digitava no ritmo daqueles goles “… por vocação.”

Milton estava muito puto com alguns comentários virtuais que tinham deixado sobre a vida comum que compartimos. Coisa de interpretações e subjetivação das experiências. Texto sem contexto. Aquela frieza literária que permeia a e-Xistência e as redes sociais.

Eu estava sem o que dizer.

“Minha vida é um livro aberto,…” eu estava achando ele brega, mas Milton fica assim quando se sente inseguro “… um monastério de minhas próprias ideias”.

Milton esvaziou outro copo.  Eu enchi duas páginas. Daí ele gritou no meu rosto “SÃO COVARDES OS ANÓNIMOS”.

Milton cospe no chão “seus filho da puta, vem e fala isso aqui na minha cara” olho para ele e lhe pergunto se é para escrever aquilo. Diz que não precisava.

Quase no fim do texto, ele põe a mão no meu ombro e me diz “você escreve bem” e da uma palmadinha. Eu boto o ponto final.

Milton se aproxima da tela do notebook e diz sorrindo “quero ver se o recalcado sabe escrever seu nome”.

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