Nuestros Parques

Esta viagem à semente-ilha está chegando ao fim. A minha própria viagem. A nossa, Benjamín. Chegamos aqui, terra flutuante-à-deriva agradecidos de tantos e tanta ajuda e compreensão. Agradecidos de muito esforço, e intento, e força, e desejos de vir, viver.

Ontem, Benja – hoje o texto é para você – estivemos na pracinha da minha infância. Para ti, qualquer parque é diversão suficiente. Mas esta pracinha era uma pracinha simplesmente diferente. Os brinquedos eram velhos, mais de cinquenta anos. Os mesmos brinquedos da infância de teu avô Ramón, e os mesmos brinquedos da infância de teu pai, eu. Ontem, teu corpo era o mesmo corpo de nós três juntos, correndo na mesma praça e no mesmo corpo e no mesmo tempo. Eu, testemunha de tua alegria, era alegre de te ver.

Parei para (te) observar. A terra era árida de sertão. O flamboyant estava cheio de folhas e cheio daquelas vagens secas com sementes – maracas? – e era o mesmo flamboyant do meu passado (flamboyant tem esse divino verão de ficar verde, depois seco só de outono com as vagens, depois nú de tudo e de inverno, e logo enche de flores vermelhamarelas da primavera).

Aquela praça oval era igual de charmosa, e eu, preso à memoria, era novamente a criança que alguma vez por ali corria. Perto daquela praça, fazia eu minhas primeiras encomendas familiares, quando com pouco mais de oito anos, ia comprar leite, manteiga e o queijo na leiteria. E fui adolescente, novamente, naquela praça oval de festas de rua, namorando e beijando minha primeira namorada.

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Você me disse ontem “você viu algum gigante por ai?”, e yo sorrindo, respondi que ainda não tinha visto, e era o eco torto do espirro de um desses velhos quase moribundos nalguma das casas ali perto. As vezes a imaginação é a melhor companheira…

Nas árvores, los gorriones cantavam seu trino zonzo, e uma brisa de inverno caribenho assoprava as ramas das árvores sobre nós. Você repetia movimentos infinitamente nos aparelhos como quem aprende um gesto, assim que se cresce adulto, assim que se fica grande, assim que se faz um pai. Sob tua pisada descalça as folhas quebravam-se em pequenos pedacitos, e o som delas era o barulho de quem agradecia ser pisada pelos teus pés.

Você foi feliz de correr independente naqueles barulhentos brinquedos de tantas décadas: el barril, la canal, el columpio, el cachumbambé. E Você e eu, yo y tú, cantávamos.

Cachumbambé

La vieja Inés

Que fuma tabaco

Y toma café. 

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