La Habana aos Meus Pés

Caminho por Habana. Cidade montada e remontada sobre antigos e novos pesares. Revestida de ilusões e magias. Cidade de poucos caminhos, tantas veredas e tantas e tantas verdades.

Em La Habana não existe soledad.

Nestes dois meses de diáspora voltei à ruas conhecidas, esquinas onde bebi e amei, lugares que lembro com o único perigo de querer ficar.

Muitas das pessoas que antes conhecia hoje vivem em outros países: como yo. Tivemos a sorte de cruzar os mares e ver amanheceres e pôr-do-sol num outro lugar. Nem sei se todos acharam a felicidade. Por exemplo, eu tive um filho e aprendi o português. Para alguém que escreve a vida, não há nada melhor que aprender outra língua, outro jeito de transcrever a solidão interior.

Em dezembro, muitos dos que foram embora voltam a nosso país. Fazer as contas do aluguel, deixar pago o celular, abastecer com cereais e leite para o dia que voltarmos. Alguns podem não ter visto este céu há muito tempo, e eu tardei quase três anos em voltar aqui.

Eu fechei minhas coisinhas em caixas, lacrei-as com palavras que me lembrassem do que  iria encontrar ali três meses depois. Acabou o contrato da casinha no Morro (sim, aquela festinha cubana não será mais por lá). Conversei possíveis retornos aos projetos nos quais trabalhava em Sampa. Troquei tudo que tinha na conta por dólares num dia de péssima cotação. Dei um abraço no meu filho, um beijo no meu amor e me despedi.

Eu nem imagino as peripécias de cada um dos que voltaram, só conheço a minha própria loucura e as escolhas que fiz. Como é a emoção de reencontrar com a família? Como é descobrir que agora tem filhos os amigos que antes brincavam de esconde-esconde?

Que aquela mocinha que uma vez me apaixonei hoje está longe de ser a mulher que desejo. Que não era tão delicioso o sorvete que tomávamos na adolescência. Que certa distância hoje é bem mais curta do que antes imaginava seria. Que as pessoas e até os amigos, por causa do capitalismo que renasce em Cuba, dão mais importância ao dinheiro e ao trabalho que aos encontros e à amizade. Que hoje quem tem, tem e outros que não tem, então não tem.

Nestes dias de intensa revisitação interior, reencontrei muitos amigos que tiveram que decidir ir-se a outro país. Todos eles estavam muito felizes, e yo. Havia nestes encontros uma euforia por reviver o abraço partido pela distância, as novas experiências e as solidões. Mas tenho a certeza: toda felicidade convive com muita tristeza para poder existir. Só cada um de nós, separada e internamente, sabe o que havia de ter vivido ao deixar esta ilha. Para viver como emigrante há que se deixar morrer a pessoa que nasceu naquele outro país, e não há morte que não leve lágrimas e lembranças, cinzas e saudades.

Por enquanto, estou de férias da vida real e o rum continua sendo o mesmo rum. As esquinas não mudaram de lugar. Alguns que foram estão de volta e os posso rever, e quem não pôde ou não quis ir ainda continua por aqui.

Logo menos está viagem acaba… É viver para escrever!

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3 pensamientos en “La Habana aos Meus Pés

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