Cheiro

Espreguiço-me na cama gigante da solidão.

Estico meus pés ao máximo………………. Alargo meu abraço………………. Sinto a extensão consistente do meu corpo desnudo……………………É quente por dentro e por fora, e ainda não suo, mas sinto a pele deliciosamente pegajosa de tanto que andei.

Agora arrepio os olhos fechados, que se abrem num palpitar delirante: estou só………… EU SOU SÓ.

Lembro-me das ausências. Isso por demais, não interessa. Dentre estas quatro paredes, sob a fé da epide(r)mis e C(r)onos, cabe a vida que já vivi: não há fantasmas.

Cheiro meu cheiro. “É esse meu odor de mim?” (re)cheiro!

Cheiro-me novamente: agora é o que posso fazer, e me toco lentamente. Dos cheiros nasce todo desejo que há em mim. Surge abrupto e necessário. Inevitável. Indispensável. Agarra-me solitário, e me embebesse, me domina, me vicia.

Contamino-me do vício de ser eu… cheiro-me sem fim, sem fins.

Cheiro a saudade de mim. “Onde você estava?” Inundo-me de mim mesmo. Esse acaso egoísmo é de se permitir: vou-me aproveitar.

Cheiro-me sem ressalva. Não temo me apaixonar do fundo cheiroso de mim mesmo, porque a felicidade tem aroma do que te faz feliz e o medo………… é baunilha com chips de café.

Estou feliz. Só.

 

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