Milton e Alberto Caieiro no Caribe

Milton havia perdido o sono no meio da noite. Sem fome nem vontade de sexo saiu a andar pelas veredas de uma ilha que flutuava até que chegou ao mar. Era ele o único irreal naquele mundo que se entregava ao vento pouco antes de sair o Sol.

Uma sombra plana se aproximava pela areia.

Eu olhei aquele homem com uma emoção desenfreada e sem querer entender entreguei-me as lágrimas.

Milton afundou seus passos até perto da agua. O sol era laranja nos seus primeiros segundos, e alaranjado o mar, os três pelicanos e uma turista que fotografava.

Eu achei que tinha algo de belo aqueles dois homens que eu amava aproximando-se entre sim, se olhando aos olhos e no fundo da alma. E achei quase divino o instante que se abraçaram as duas sombras.

Mas tudo era simplesmente comum, sem nenhum significado além daquele abraço alaranjado que nos acontecia.

O homem foi-se.

Milton calara.

Eu fiquei olhando o mar, respirando no ritmo das ondas que até meus pés chegavam.

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