Milton, o estrangeiro.

Milton fotografa esquinas conhecidas, monumentos de heróis da esquecida Revolução, exóticos detalhes da sua terra em paredes, murais e, sobretudo, mas do que tudo, na sua gente.

Há certa surpresa no jeito como enxerga aquilo que já fora tão natural, e que agora, na sorte de quem emigra, na volta triunfal a sua Pátria, o acolhe distinto… estrangeiro.

Um estranho lhe oferece charutos. Outro homem lhe vende conversa sob a única sombra neste Sol tropical. Alguém lhe convida a experimentar aquele drinque que já soube, há muito tempo, preparar.

Milton nega tudo com a mesma acidez que eu costumo negar.

“Somos raros até neste raro país”, me cutuca e eu sorrio da moça pretinha que vem até nos. Ela jovem, gostosa, feliz até que demais.

Ela sussurra um fetiche, e Milton, velho poeta do artifício, se deixa falar em inglês, “I have money for that, babe”, eu traduzo num latejo no peito e numa ereção.

Milton agarra a mão da mocinha. Ela me beija os lábios com seu carmim natural e nos leva por um corredor escuro, de escada tortuosa, de porta pequena pintada de azul. Antes de fechar a porta, ela nos solta seu preço e Milton, calando minha boca, pensa para dentro de nos “benditos reais e o cambio mundial”.

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