Milton & Marla

Milton abre a porta de um soco só, contundente como tsunami no encosto das ilhas, e me oferece um rancor de vários infernos.

Sentado no sofá, eu perco esse momento dramático. Ele não acredita no meu gesto amanteigado que acoberta paredes, fotos e azulejos. ­“O que aconteceu?” – lhe pergunto sem julgamento nem excitação.

Ele descobrira num simples relance, calcinha, sutiã, maquiagens de tons frios, batom fantasia daquele que não deixa marca, vestido curto de carnaval, cílios importados, sapatos de cor azul, um drinque caprichado com gin, a janela do quarto aberta e a cortina branca vindo até seu rosto no compasso da brisa, do meu sorriso e da desilusão dele.

Milton se agradou ao sentir nenhum perfume. “A pele é território, nossa casa do espírito” – a cortina me deixou lhe ver o rosto – “o único que é nosso”.

Havia certo paradoxo na minha interpretação dessas palavras. Deixei quieto.

Ele avançou ao banheiro, sem travas, percebeu que aqueles medos eram mais do que sua própria desconfiança. Ele tornou me olhar, eu já não estava.

Entre nós não haviam segredos, até então…

“Olá, meu nome é Marla”.

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Un pensamiento en “Milton & Marla

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