Só o cume interessa

Para Tatinha, Shiê, Caue, Marcela, Rui, Nana, Ailton, Bruno, Juliano e Pri… e os outros que não chegaram.

No cume da Pedra Selada, em Visconde de Mauá, o horizonte tem todos os possíveis graus do olhar humano. A vista se perde no infinito dentre nuvens suspensas, montanhas verdes e um vale distante. De pé sobre pedra fria, o vento bate em toda e qualquer direção… O voo é alto, sem limites: o céu…  Essa sensação de liberdade imagética é incomum de se viver.

Lá embaixo, as riscas retilíneas do homem, escrevem uma história para lá de contada – y no me interesa saber.

No cume da Pedra Selada, onze sombras erguem-se em corpos: a liberdade deslumbra, intimida… abisma!

No ponto supremo é possível pela festança, esquecer-se da extensa trilha, das mordidas do mato, do íngreme da caminhada, o calor na pele, a sede intermitente e duradoura. É possível até parecermos vencedores, quase divinos, semideuses. Éramos onze… (cada um com o seu nome). E eu, um desses.

Só o cú me interessa...

Só o cú me interessa…

O silêncio se rasga em tantos sentidos para esta travessia: “nadie dijo que sería fácil…”

Diante de tanta beleza o hálito fraqueja, o som da consciência se interpõe trazendo as lembranças do esforço real que me lembra do inútil do meu ego. A vastidão da serra coroada pelos meus pés – e a presença destes outros dez semideuses – me faz reivindicar minha convicta escolha de solidão. Solidão de espirito na minha luta por sobreviver e ser feliz, juntos aos outros.

Na vigília daquela paisagem, aqueles onze corpos dispostos e sorridentes, algum deles nus, flertam com o perigo do abismo.

Então, entrego-me ao abraço coletivo da confiança e me deixo ir sem medo de cair… lá no fundo o que é verde esfumaça, o branco tornasse azul e o terror da queda, bate na porta do peito, e me enche de satisfação.

Somaiê, Pedra Selada, Visconde de Mauá, RJ.

Somaiê, Pedra Selada, Visconde de Mauá, RJ.

“Nadie dijo que sería fácil…” Pense que é possível confiar. Pense, é possível o corpo comportar outro corpo, e não morrer tentando. É possível se entregar. Possível é, ensaiar o nascimento e viver esse reencontro com nosso ser. Pense, é possível diante de um espelho não se reconhecer. É possível, não ter que mentir. Possível é, amar ou do contrário, morrer. É possível…

 

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