A vida “gris” e meu direito à (in)felicidade

La vida es gris” assim pintava de cinza a Expósito a vida que a gente levava. Com seu rosto esfumaçado pelo aroma do café e seus dois filhos por perto, eles já sabiam das variedades de cor da vida: “la vida es gris, mamá”.

A vida era mesmo difícil dentre daquelas paredes roídas pelo tempo e desgastadas pelo calor numa ilha que negava toda e qualquer maior satisfação. Na geladeira não haveria muito mais do que aquilo. Na televisão reprisavam infinitamente desenhos de anos atrás…

Éramos felices com poco…

Minha felicidade sempre foi simples: o sol a través da fresta da porta de casa invertia a cena lá fora e trazia um mundo em cinema, colorido com filtro de cinza. Eu sorria com a mesma rua dentro de casa na parede da sala. Era a mesma rua de todos os dias da minha vida.

A felicidade é feita de migalhas de pão, como aqueles de João e Maria, que não à toa, acham uma casa feita de todos os melhores doces.

A felicidade é um perigo.

Ser feliz é saber-se vivo. O ar quente que entra no meu nariz. A dor dos músculos por me locomover. O sorriso num beijo. A lágrima de quando despertei.

Mas qual felicidade é a sua? Qual são os detalhes que iluminam seu viver?

E se não conseguirmos aquilo que acreditamos querer? E se aquilo que acreditamos e nos fez feliz deixa de repente de nos preencher?

Todo na vida é construído a partir daquilo que você quer. Humanamente falando as pessoas, esquecem que o que a gente precisa mesmo é viver. Toda construção, conhecimento ou pertencimento nós aprisiona o viver, como a casa de docinhos de João e Maria.

Porém não interessa o que nos faz (in)feliz. Cada um reconhece no instante que amanhecer ficará retido na memoria. Qual amor deixará suspiros de “quero ainda mais”. Que morte deixará um vazio difícil de largar.

Mas o que me aflige mesmo é… Por que se todos estão à procura daquilo que lhe faz feliz, seja lá que for, exigimos do outro uma (in)certa (in)felicidade? Não deveríamos cada um cuidar a priori de nossas migalhas espalhadas pelo caminho, à procura da casa de nossos sonhos mais doces?

Deixe-me ser…

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