A negação de Milton

“Isso não pode, Milton”

Dentro de mim abre-se o oco vazio buraco do medo. Como árvore cresce dentro e fora das minhas paredes.

Milton se fecha nele. Nada lhe causa tanta dor quanto a negação de um desejo. Mesmo tendo lutado por aquela vontade, quando aparece um elemento regulador que o detêm, murcha.

Milton é uma criança. Feliz, abre sua mão para pegar aquilo que…

Diante do não ensombrece, capenga, encosta, resvala e cai, tropeça e quebra, rasga, entorta e abre, afunda, entristece, mancha e sangra.

Dou-me um abraço.  Nesta solidão que vivemos, ele me têm e eu o tenho. A fórmula parece simples, mas dá vários nós. Enrosca-nos.

Mas são suas próprias negações que lhe atropelam, que lhe tiram o hálito e as esperanças.

Milton se ajoelha. Não sente a dor beliscando-o em toda extensão das suas pernas. Dentro dele escuta uma espécie de grito das suas vísceras, pinica e doe.

“Não, isso não vou fazer” me disse…

Eu vejo a morte. Nossa morte, Milton.

E não há maior morte que nossa anulação. O próprio e legítimo suicido de quem desiste e se negando, morre!.

Eu me curvo diante da sombra dele, efímera, e lhe abraço os olhos. Deles descem lágrimas sem mais…

Não dá para morrer toda hora.

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