Ser criança

A memoria é que estraga tudo. Esse arquivo bagunçado de passado, referências e interpretações. Esse universo vivido, e reinventado através das palavras e as emoções. Álbum de instantes presos na retina. Sorrisos de uma felicidade que foi ou de uma tristeza que bem feriu. A infância é onde fomos, quase sempre tão felizes, por causa do desapego de reter eventos antes ocorridos.

A vida é presente… dádiva.

TRINT Historias contadas na areia, por Benjamín

TRINT: Historias contadas na areia, por Benjamín

O resto é sempre saudades ou mágoa daquilo que não temos mais. Reclamações em autodefesa ou autoflagelação. (Já fiquei emaranhado nessa armadilha e o resultado foi nefasto)

“Espeto e brasa da vida, fogo baixo, quero ela mal passada”.

As memórias, boas ou ruins, nós transportam num lugar que não existe. Nem espacial, nem temporal. Quando se retorna a um espaço, não sou mais o mesmo, algo em mim ou no meu modo de ver, deixou de existir.

A rotina é a acomodação de viver o presente, e tão difícil aceitar que a cada segundo, tudo se transforma num processo continuo e inevitável, que assim se prefere. Nesse conforto, damos adeus à criatividade do viver, do olhar a cada instante com a novidade de existir e respirar. A rotina é o berço de morte da criação.

As crianças, sempre ouvi, precisam de rotina. É difícil ver a felicidade alheia, feita sorrisos e esquecimento. Feito perdão a todo instante, pois a vida dos pequenos não tem o juízo moral dos adultos, e dispensam a culpa. Um pranto doloroso se transforma em segundos na maior risada (nos adultos, isto leva prescrição médica e é chamava de bipolaridade). E pensando comigo, não é conveniente para o mundinho que vivemos criar pessoas felizes.

Crianças esquecem até mesmo o mais feliz já vivido. Sábias, elas percebem que a cada nova brincadeira, elas podem sim ser felizes novamente – e logo, também tristes por equilíbrio. Mas elas, arrisco-me, não fazem isto através do esquecimento, e sim, pelo instinto natural de viver o presente.

No presente, o chocolate é o melhor melhor chocolate do mundo. A praia, não importa o litoral, é a melhor melhor praia. O dia, não importa a cor, é sempre o melhor dia. O sexo, é o melhor melhor do mundo.

O amor, na paixão extrema, é então esse pedacinho criança sobrevivendo à sociedade, às  manipulações, à toda mecanicidade. O amor nos refaz crianças, e somos tentados novamente a viver presentes, a cada instante, como se mais nada, fosse ser melhor.

Então esqueça (sorrisos), e ame…

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