Apego à vida, e a estimação animal

It’s a mystery to me / we have a greed with which we have agreed / you think you have to want more than you need /until you have it all you won’t be free. “Society” (Eddie Vedder)

Uma vez tive um cachorro. Chamava Danger e era o mais baboso e fofo boxer da Terra. Pegamos-lhe pequenininho e morreu aos doze anos. Foi um perro feliz, eu acho. Deitava para dormir no sofá. Ficava doidão correndo em círculos pulando tudo que encontrasse em frente. Foi criado na calçada, sem corrente nem focinheira, solto. Nunca comeu ração. Teve mais de trinta filhotes com várias outras boxers.

Na minha casa teve cotorra  (uma daquelas aves que aprende a repetir palavras), tartaruga, peixes e até uma cobra que fugiu. Eu nunca gostei muito de animal de estimação. Acho que se se têm um animal, deveria se lhe oferecer o máximo de vida natural que corresponde a sua espécie. Um jeito de lhe garantir ao animal o máximo da sua liberdade possível.

Animais domésticos – por séculos domesticados – trocaram suas liberdades pelo conforto da casa. Outros foram forçados a ferro quente a ficar detrás de cercos, em troca se livravam dos animais de caça.

Ao prescindir da lucha diária, os animais de estimação renunciaram aos instintos básicos da sobrevivência: a procura pelo mantimento da saúde e a beleza; disso se derivam a busca dos alimentos e o descanso, assim como a continuidade da espécie, a través da procria.

Confinados, os animais adotam comportamentos que em compensação lhe trarão os mesmos benefícios, aqueles necessários para a continuidade da vida. Aprendem os horários que os donos lhes colocam, e é nesses, que eles adaptam a fazer as necessidades. Fazem silêncio. Vão trás a bolinha. Repetem gestos e caretas em troca do carinho.

Um modo de pose também acontece quando existe um submetido. Aquele que se oferece, seduz – isto eu também considero arte – o seu dominador, em troca do cuidado básico de sobrevivência.  E ao fim, o “domina” por submissão.

Na pose, tanta responsabilidade tem aquele que domina como aquele que concorda em ser dominado.

Eu gosto mesmo é de pássaros. Dos que vivem livres, mesmo nas cidades. Dá para olhá-los passar, voando. Escutá-los na janela de casa. Dá para até numa brisa muito boa, descobrir nos olhos deles, o olhar.  Não dá para pegar. Nem para lhes agradecer.

Uma coisa que já constatei por mim mesmo; diante da morte, os bichos que estão quase para morrer se mexem incontrolavelmente, endiabrados, na tentativa de se manter vivos. A vida é o mais importante, mesmo que isso nós custe a morte.

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