El Malecón Habanero, o Muro

El Malecón é o começo e o fim da cidade de La Habana. Uma larga avenida que costura entre asfalto e mar, o oceano com a humanidade. De um lado o vento cuspindo salitre sobre a vida. Do outro, o silêncio de quem se sabe pequeno diante daquele azul-verde sem fim.

El Muro del Malecón como se lhe conhece é uma faixa de concreto que se eleva, ora calçadão ora parapeito contra ondas, e estende-se por vários quilômetros passando por bairros mais frequentados por turistas  entre  o Vedado, Centro Habana  e Habana Vieja. Naquele pedaço tem os hotéis mais famosos e luxuosos da cidade: Hotel Nacional, o Cohiba e o Riviera. Tem bares e praças. Tudo isso do lado oposto do mar.

Não tem areia lá. Um velho recife, gastado e sujo, acompanha aquela construção. Dalí precisamente se combinam as mais belas imagens de espuma quando o mar, na sua fúria, contra-ataca por aquilo que lhe foi roubado.

El Malecón, no extremo oeste, começa onde o Rio Almendares acaba. Um rio poluído de fezes e dejetos industriais. Ali um castelo colonial que resguardava aquele estratégico ponto hoje é um restaurante e casa de shows. O 1830 é um bar de clássicos drinques cubanos sob guarda-sóis com propagandas de cervejas. O som é alto. O cheiro, a pesar do Almendares, é do mar.

Várias das mais importantes avenidas da cidade começam – ou terminam – lá: Avenida del Prado, La Rampa ou Calle 23, Avenida de Los Presidentes ou Calle G e Paseo. 

Do lado do Muro é comum o povo, os turistas e o povo que vive do turista, ficar sentado olhando pro mar.

Lembre-se a menos de 200 kilómetros daquele ponto, e do outro lado do Estreito da Flórida, fica o ponto mais meridional do American Dream – aquele pesadelo. Dalí, nos anos noventa, muita gente se lançou em balsas feitas de pneus, tabuas, garrafas pet com agua e comida empacotada à procura do que seria uma vida melhor. Alguns não chegaram. Os outros, podem-se achar, de uma certa forma, heróes.

Andando por aquele calçadão, porque aquele Malecón só faz sentido se você transitar por lá, você vai conhecer pescadores que não acreditam na poluição do mar e ainda tem várias teorias sobre o aquecimento global. Vai conhecer casais se beijando, brigando, tentando se reconciliar. Vai vê-los dormindo abraçados sob o Sol ou se cobrindo juntos da última onda que tentou ultrapassar aquele paredão. Vai escutar duetos, de violão e voz, o repertorio clássico do Son cubano – especifico aqui que Son é o ritmo base das principais vertentes da música popular cubana, um ritmo para dançar à dois, sem se importar com o roce entre os dois parceiros. Vai comprar cucuruchode amendoim, docinhos, flores plásticas ou reais. Vai escutar boas e belas ofertas de sexo para todos os gostos e desgostos.

Daí eu aposto, se você foi a La Habana e não foi ver o pôr-do-sol sobre El Muro, se você não escutar a trilha sonora de sua viagem desenhada por aquelas ondas batendo perto de você, se você não virou a noite e sentiu aquele friozinho da manhã, reconsidere voltar na cidade. Você nunca esteve lá!.

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