Do meu amor…

Do meu amor, rasguei – ontem – a camisa, as roupas velhas e sujas. Rasguei dele as máscaras e a cobertura, aquela película que o embrulhava como enfeite.

Rasguei-lhe o futuro, passados, faculdades, aposentadorias.

Tirei-lhe fome, ausências, saudades. Rasguei-lhe sonhos e pesadelos.

Tirei-lhe cobranças, pedidos, taxas, trocos convertidos em poupanças.

Ao meu amor, afastei-o de largas caminhadas, de desertos, de noites desveladas e da Sombra que da Luz o afastava.

Abri-lhe os olhos.

Beijei-lhe a alma.

O livrei de irmãos e dinastias. Libertei-o de pátrias.

Arranquei-lhe os cabelos, dentes, unhas e barbas. O abaixei do pódio. Neguei-lhe casamento. Não lhe compus músicas, serenatas, zero hinos de cavalgadas. Não conheceu heróis nem ídolos que o coroavam.

E na escuridão da noite, a Lua dúbia, e sem estrelas, eu despido e sem medo, o abracei sem nada, para ver se o meu amor me amava.

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