Pioneros pelo comunismo! Seremos como quem?

Até poucos anos atrás era impossível, para mim, desacreditar nos valores da Revolución Cubana, seus fatos e façanhas. Não era possível desconfiar de seus líderes e heróis. Também não de seus mártires.  

Eu fui criado no berço desse processo revolucionário que a maioria, por aqui, conhece pelos jornais conservadores. Ou, em visitas guiadas por partidos políticos, da chamada esquerda em conluio com o governo cubano. Outros que foram de turistas, e tem as boas e más impressões que os deixam mais perto dessa incerta realidade.

Há dois dias acordei com barulho de crianças entrando numa escola. Era o som da alegria que não veste fome, nem classes sociais. Gritos, correrias, vozes de professoras tentando manter a ordem.

Era o som do meu filho num futuro quase palpável.

Era eu, há uns anos atrás, num outro país, através da janela.

Pioneros por el Comunismo…” se levantava uma voz firme por sobre todas as cabeças, enfileiradas, divididas por salas, num pátio estreito de alguém com muito dinheiro, numa casa abandonada depois da chegada do Fidel, e pelo processo revolucionário, agora feita uma escola “… seremos como el Ché” respondíamos todos, ao uníssono, com a mão firme, dedos esticados e polegar na testa.

Assim era o fim de todo ato matutino, depois de cantar o hino nacional e ao ver a bandeira se hastear no alto. Diga-se, em Cuba a bandeira não se eleva até o fim da haste em protesto à base naval americana em Guantánamo.

Assim era, e é bem provável que ainda assim seja até hoje, em toda instituição educacional ao longo da ilha.

escuela

Na frente de todos nós, um busto de José Martí, poeta e apóstolo, de todas as lutas cubanas, presidia a cerimônia cotidianamente. Era comum uma criança, uma menina, uma mãe ou pai, uma professora trazerem flores e coloca-las perto daquele rosto branco de cal, sem gesto, nem tons.

Lembro-me de Cecilia com seis anos como parte de seu ritual para chegar à sala. Ela era feliz, também.

Para se ter uma ideia, na escala de punição escolar as piores causas poderiam ser, brigar com colega ou “faltar” ao respeito de um professor, seguidas de intento de colar nas provas, incorrer em algum furto e as piores, as ideológicas, deixar cair a bandeira no chão ou ferir imagens de heróis, em especial o busto de Martí. O castigo a estes últimos era severo.

Por anos, idolatrar homens ou mulheres que tinham lutado até chegar neste processo que o país vivia – naquela época no presente – foi parte da minha formação ideológica. Até hoje é difícil não acreditar naquela vida de herói semideus, íntegro, valente, desapegado do seu eu em prol da luta de uma nação, sem defeitos, e com um final feliz na História da minha pátria.

Era como os super-heróis da sociedade capitalista, só que de carne e osso, com árvore genealógica e túmulo para se visitar.

Na sala, sempre havia um quadro ou foto do Fidel, que estava lá como Deus, cuidando de nosotros, acompanhado muita vezes do Ché ou Camilo ou José Martí. Era, supremamente, a quem mais devíamos respeito, a quem louvávamos e a quem proferíamos nossas naturezas. Ao sermos justos ou não com a presença daqueles “seres” nossos valores e ações eram avaliados e logo depois, validadas pelo resto da sala, a professora ou toda a escola.

A berlinda ideológica entre o bem e o mal era sempre um abismo ao qual se entregar ou do qual se manter a salvo.

Na televisão, nas propagandas políticas, nos cartazes espalhados pela cidade ou estradas, nos jornais, na rádio, até em casa, essa imagem do Deus Castro, dos filhos da Revolución, dos mártires mantinha o cerco sobre nós. Sobre mim. E o amávamos bem, a ele e a todos os outros.

El Gran Hermano de Orwell. O Big Brother do Bial de vocês.

Demorei-me nos questionamentos. Isolado na minha realidade como muitos, foi difícil começar a dissolver aqueles gestos da Revolución, e a figura do Fidel, Raúl; e entender a complexidade, o funcionamento, as duplas intenções, o terror, e mais importante ainda, a vontade de algumas pessoas ou grupos que já acordados, começavam se postular contrários.

A soberania, porém, não está em julgamento, a pesar de há tantos anos sermos presa dessa construção política que deixou de dialogar com o nuestro pueblo, e óbvios interesses externos aos cubanos pretendam tomar conta da situação.

Aos cubanos de aqui e de allá:  VIVA CUBA LIBRE!

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2 pensamientos en “Pioneros pelo comunismo! Seremos como quem?

  1. Pingback: De pai para filho (ou de como venho para onde vou) | ENTRE 2 LINGUAS

  2. es una demarcacion clara de como trato de ser configurado el cerebro o las ideas o mejor aun los sentimientos de un masa, de la que formamos parte y conquienes podemos compartir unos codigos, gracias por recordarme un avez mas donde recide la verdader a patria

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