Yoanis Sánchez, a cubana do momento.

Amanheceu a semana ansiosa, querendo saber de posturas, posicionamentos de esquerda ou direita porque a blogger mais famosa cubana chegou neste, precisamente meu nuevo país. Carpe diem geográfico.

Yoanis é a escritora do blog Generación Y que descreve a realidade de Cuba de uma maneira bem crítica. A história disso tudo você se informa melhor na Veja, no jornal da Cultura e até na Piauí. Com uma pluralidade dessa magnitude você pode fazer um mestrado sobre jornalismo político no ciberespaço ou sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea.

Nestes dias assisti novamente no ringue batalhas de pessoas com opostos ideais, defendidos a gritos sem escuta, sem diálogo. Os que negam a Yoanis com insultos e agressões, usam cartazes xerocados de guerras alheias, a maioria sem ter pisado jamais em Cuba para ver o cenário real das suas utopias. Os que apoiam a blogger se aproveitam da fúria dos rojos – aqueles que gritam para calar o que a Yoanis tenta dizer – e a usam como se ela fosse defensora dos ideais da direita e acho que até acertam na hora que a apadrinham.

No discurso dela, se escuta apenas a vontade de expor a injustiças políticas do governo Castro, o direito a oposição, ao diálogo civil, e alguns outros poucos direitos ditos humanos com a intenção de criar uma sociedade justa e comum a todos os cubanos. Os cubanos todos, onde quiser que estiverem deveríamos desejar cada um, um pouco disso para nossa ilha, nas diferencias e necessidades respeitando a origem e as diversidades. Isso tem se mostrado difícil entre os novos atores políticos.

Acúsa-la de se apegar a políticos ruins na chegada ao Brasil, é de fato a maior bandeira de os movimentos políticos de base, movimentos alternativos de poder e outras organizações civis caem na armadilha da mídia e dos homens de negócios, que de fato são os maiores interessados num diálogo futuro com a ilha.

Confesso que não leio o famoso blog. Daquilo tudo que a Yoanis escreve, eu já vivi o suficiente, de um modo muito particular, obviamente. De qualquer maneira quando leio seus textos, me sinto viajando, cada vez, aos meus próprios episódios habaneros.

Cuba sorri morrendo de fome. Temos a audácia de divertimos a desgraça. Choramos no Carnaval.

Ela é mais reconhecida representante de um movimento civil que vem se posicionando diante da crua e unilateral política do governo cubano. Movimento que existiu desde a chegada do Fidel Castro ao poder, mas que nunca foi tão articulado e maduro como o que hoje se pratica na ilha e nas suas diásporas. Perante o absurdo de imaginar um país sem contrários nem opositores, Yoanis usa sua imagem para disseminar esse espírito revolucionário que nós, cubanos, sempre tivemos, do qual somos conscientes e pelo qual sempre lutamos.

Dizem os que a criticam, e não é difícil acreditar, que a força dela – do Generación Y – se deve ao financiamento do governo norte-americano. Eu mesmo acho bem possível exista apoio monetário e tecnológico dos filhos do Obama, mas a Yoanis regularmente nega essa ajuda. Porém concordo que muito do que ela recebe atualmente deve-se a doações de seguidores que ela tem pelo mundo todo.

Ao que interessa, gente. Aquilo que ela escreve é um retrato cotidiano daquilo que realmente acontece em Cuba. É a luta de um povo por residir num país que não valoriza o potencial dos seus moradores em detrimento da ação do conservadorismo marxista-leninista-castrista e de uma nova onda de investimentos estrangeiros que mantenham o saldo positivo nas contas do Estado. Em contrabalanço, um assédio violento à livre escolha de pensamento, ou de reconhecimento da individualidade tudo isso sustentado por um aparato repressivo que persegue quem, como ela, se coloca do outro lado, questionando as adversidades.

Aquelas fotos, por demais um ótimo trabalho do OLPL, o amigo fotógrafo que ilustra o Generación Y, demostram que aquelas imagens de uma vida derruída, quase miserável, que flutua na aquela mi isla são cruéis demais como para não denunciá-las ao custo que seja necessário.

Atacar a postura monolítica do governo do Raúl – não toca mais Raulito – leva-a e aos outros, a se colocar em situações de riscos típicas das mais cruéis ditaduras militares do século passado na América Latina – aqui no Brasil, até esse capítulo da história ainda veicula nos Senados e Parlamentos de interior de Goiás para ser no mínimo investigado. Esses capítulos de resistência são relatados no domínio dela, para combater o silêncio de uma mídia governamental tão poderosa quanto as grandes mídias que simulam manter os níveis de liberdade de expressão exigidos nas democracias modernas, tipo Brasil.

Em 2011, última vez que estive em Cuba, entrei num restaurante no bairro chinês. Na primeira mesa, Yoanis conversava com um homem, depois soube era seu esposo. Claudia que me acompanhava a cumprimentou, perguntou algumas coisas pessoais. Fui apresentado e eu me senti, lembrando outros momentos onde tinha estado no mesmo espaço que ela, que podia olhar nos olhos dela sem sentir nenhum ódio ou inveja ou orgulho.

Subimos ao segundo andar e jantamos. No local onde estávamos não teve nenhum tumulto nem presença policial. Yoanis era uma pessoa comum num restaurante comum de uma cidade comum num país que parece incomum.

Yoanis viajará na sequencia para outros países ao redor do mundo. Talvez a imprensa brasileira prove que ela realmente é um messias mediático e acompanhe o percurso dela por outras democracias ocidentais. Se ela for experta como aparenta ser, algumas pessoas acordem para a realidade que se vive no meu país. Lembrar que não é necessário cair na ingerência na qual caem os fanáticos. Ainda encontrar um jeito de entender o momento histórico que se vive em Cuba, e do qual Yoanis, é uma das peças, pessoa midiática, e hoje bode expiatório.

Os da esquerda, acordem, acolham o fato de aquilo que deveria ser em Cuba, não é. Aproveitem para escutar da cruel realidade. Um alicerce, talvez seja mais proveitoso salvar o bom que temos naquele país que de fato tende a se resistir a um capitalismo feroz – difícil acreditar, mas…

Acho que o Brasil está choramingando heróis.

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