Abraço-aperto (sonata)

“Deixa a brincadeira, sobe aqui…”

O frio escala as minhas pernas, o peso dá exatamente o cálculo da massa, carne que anseio e no infinito da vontade, aperto. Estico as mãos sobre tuas coxas, parte posterior arrepiada, contrai no tato, desejo.

Escuto o sorriso, despretensioso, no acaso do prazer. Não luto contra essas vontades.

O corpo escala as pernas, minha boca dá exatamente o cálculo do que quero, carne que desejo e no natural da minha vontade, mordo. Tem os peitos – um sim, um não – que diluo entre mordidas, suspiros e um “te quiero”.

Aperto; calam-se os seus olhos num piscar de desespero, antes do penetro. E como quem não quer, me escorrego entre as pernas mansas.

Vou-me com o nariz entre teus lábios, ali entre uma palavra e outro suspiro, me invento unicórnios que se enroscam num sexo sem palavras, tentando ser um bicho menos esquisito, um animal menos apaixonante, comum, sincero, um animal sem fetiche, só por querer ser, ser diferente.

E tinha um mar de verdes algas onde não me atrevo e uma onda branca de peixes que brilham no meu sol e nas minhas pálpebras, penso naquela passarada que me inspira tamanha inveja no seu voo, e as vejo ir embora perto do horizonte, após as árvores, os rios, as montanhas que nunca alcanço, ajoelho, eu não posso, não te alcanço, peco, peço, APERTO.

Aperta-me sabendo exatamente onde queres que eu me sinta, “eu rei?” eu não sou, nunca serei da alcunha de quem quer ter mais. Sou menos: a menos sempre mais. Somando na infinidade do humilde, do ser-não.

Na altura de um abraço absurdo, do abraço amor, do abraço junto, do abraço beijo, do abraço ereto, do seu abraço aperto, do me abraço imenso, sendo o sol e você a chuva, feito orgia em pleno, arco-íris sendo sonrisa baba suor suspiro gesto, dentro, fora, coçando a barriga, os dois umbigos sendo, sendo um, seu peito no meu peito, eu sendo um sob seus gemidos, quase sucumbindo, demorando o vazio final do gozo, do orgástico final dos sentidos, do abraço muerto, do abraço suspiro, do abraço adeus, do meu sono abraço…

…porém

… antes, durante, nesse instante procuro tua bunda no escuro, aperto, me dou teu beijo, a língua no tento, no intenso de saber que esse seu silêncio é o inicio, começo, do finalmente seu abraço queijo, esticando as peles no roce, no gosto profundo de saber que já vem, te vienes, sabendo que o nosso amor crescido na chuva sob o sol é do arco-íris, abençoado, bendito esse abraço que quiero, vou perseguir, insistir, experimentar, me culpar, vou tentando no súbito arranque, no assalto, no sobressalto, no encanto, saber que no próximo suspiro não se irão as esperanças, e sim, um grito contido, a janela aberta, o calor do trópicos, islas-continentes, suor sem lágrimas, lábios despidos, incendiados, despedidos da mentira, ojos y ojos, zóios nos zóios, olhos y ojos, miradas.  No final, certa mirada de morte que se vai apagando, leve, levemente, sossegada, sossegadamente, infinita, infinitamente… sem fim.

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